O economista social-democrata António Borges, que hoje morreu aos 63 anos, destacou-se pela carreira académica, pelo destaque internacional e pelas medidas polémicas defendidas para enfrentar a crise económica nacional. António Borges foi o português que, em 1988, foi capa da revista Fortune.

António Mendo de Castel-Branco do Amaral Osório Borges nasceu em Ramalde, Porto, a 18 de novembro de 1949, era casado e tinha 4 filhos. Borges era militante do Partido Social Democrata, do qual foi vice-presidente da Comissão Política Nacional, entre 2008 e 2010, sob a liderança de Manuela Ferreira Leite.

Depois de se licenciar em Economia e Finanças, em 1972, no antigo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa, António Borges estabeleceu-se nos Estados Unidos, em 1976, onde obteve os graus de Mestre e Doutor em Economia.

O economista foi docente do INSEAD, em França, em 1980, instituto de que foi diretor e reitor nos anos 90. Em Portugal lecionou na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e na Universidade Católica, onde era professor catedrático convidado. Alguns dos seus alunos, em entrevita ao jornal Público, recorda António Borges como um professor com gosto por ensinar.

«Era mesmo muito bom pedagogicamente, muito claro, tinha grande método. Um grande professor, não há dúvida», afirma José Amaral, um independente que tem colaborado com o PS. «Hoje, é difícil olhar para António Borges e interpretá-lo nesta perspectiva, porque o mais visível é o seu posicionamento político, muito claro e controverso. Mas as suas grandes qualidades são as mesmas».

António Borges foi Vice-Governador do Banco de Portugal, foi Vice-Presidente do Conselho de Administração do Banco Goldman Sachs International, em Londres, e foi administrador de várias empresas, nomeadamente do Citibank, do BNP Paribas, da Petrogal, da Sonae, da Jerónimo Martins, Cimpor e Vista Alegre.

Foi ainda consultor do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, do U.S. Electric Power Research Institute, da OCDE e colaborou com a União Europeia na criação da União Económica e Monetária.

Em 2010 foi nomeado diretor do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional. Nesse ano foi-lhe diagnosticado o cancro no pâncreas que lhe causou a morte. Era Presidente do Instituto Europeu de Corporate Governance e administrador da Fundação Champalimaud.

Foi escolhido pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho para liderar a equipa que acompanhava, junto da troika, os processos de privatizações, as renegociações das parcerias público-privadas, a reestruturação do setor empresarial do Estado e a situação da banca.

Reconhecido como «um economista brilhante», António Borges assumiu algumas posições polémicas, nomeadamente defendeu que era urgente reduzir salários.

Em 2012, quando o Governo propôs a redução da Taxa Social Única para as empresas e uma subida para os trabalhadores, que foi rejeitada pela maioria dos empresários, António Borges acusou-os de serem «completamente ignorantes», o que suscitou fortes críticas.