O Governo português continua a trabalhar na preparação da cimeira bilateral com Angola, cuja realização foi anunciada para fevereiro do próximo ano, disse à Lusa fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

«Continuamos a trabalhar no sentido da preparação da cimeira entre Portugal e Angola», afirmou fonte do Ministério liderado por Rui Machete, que não esclareceu contudo se o Governo português mantém a cimeira prevista para fevereiro, como foi recentemente anunciado.

O ministro da Justiça angolano afirmou nesta terça-feira que se mantém a cooperação entre Portugal e Angola, mas referiu que a cimeira bilateral não se vai realizar em fevereiro, decorrendo depois através de «contactos bilaterais».

«A cooperação bilateral entre Angola e Portugal mantém-se, não há dificuldade nenhuma e não me cabe aqui fazer interpretações ou comentários sobre aquilo que o Presidente da República [angolano, José Eduardo dos Santos] já disse», afirmou o ministro da Justiça e Direitos Humanos angolano, Rui Mangueira, à Rádio Renascença e ao Diário Económico, à margem do Fórum Macau.

O governante disse que Angola está «a trabalhar normalmente» com Portugal e que não existe «dificuldade nenhuma» entre os dois países.

«A única questão é que a cimeira que estava prevista para o mês de fevereiro não se vai realizar», referiu, acrescentando que «depois vai verificar-se, através de contactos bilaterais».

A data da cimeira bilateral não chegou a estar oficialmente marcada.

A realização da primeira cimeira foi anunciada em fevereiro deste ano, durante a visita do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, a Angola, após uma reunião com o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e o seu homólogo, Georges Chikoti. A cimeira deveria realizar-se no segundo semestre deste ano, em território angolano.

No início de setembro, numa visita a Portugal, o ministro das Relações Exteriores angolano e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, analisaram a instituição de cimeiras de chefes de Governo bienais entre os dois países, prevendo-se a primeira para finais de outubro em Luanda.

A 11 de outubro, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português, Luís Campos Ferreira, anunciou, em Angola, que a primeira cimeira entre os dois países deveria realizar-se nos primeiros dias de fevereiro de 2014, sob o lema «Reforço da Cooperação Portugal-Angola - O Crescimento Económico e o Desenvolvimento Sustentável dos dois países».

José Eduardo dos Santos anunciou a 15 de outubro a suspensão da anunciada parceria estratégica entre Luanda e Lisboa.

Alguns dias antes, em entrevista à Rádio Nacional de Angola, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, tinha pedido desculpa a Luanda pelas investigações do Ministério Público português, declarações que provocaram polémica em Lisboa.

O Ministério Público anunciou entretanto o arquivamento, datado de 18 de julho, do processo de investigação ao Procurador-Geral da República angolano, João Moreira de Sousa, concluindo que as operações financeiras efetuadas «se encontravam justificadas» e suportadas numa relação negocial «legítima», sem despertar «censura» em sede criminal.

O chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, disse recentemente, em entrevista à Televisão Pública de Angola, que Luanda deixou de considerar prioritária a cooperação com Portugal, elegendo África do Sul, China e Brasil como alternativas.

Sobre a realização da primeira cimeira bilateral, o ministro angolano disse não ter «muita certeza» sobre a efetiva realização.