A administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) remeteu aos serviços jurídicos as declarações da eurodeputada Ana Gomes, segundo as quais o interesse da Indonésia em negociar com a empresa ficou sem resposta.

Contactada pela agência Lusa, fonte da administração da empresa pública confirmou ter remetido estas declarações, relativas a um caso que segundo a eurodeputada terá acontecido entre 2002 e 2004, para análise dos serviços jurídicos dos estaleiros, estando igualmente a «ponderar» remetê-las ao Ministério Público.

A administração dos estaleiros acrescenta «estranhar» as declarações da agora eurodeputada socialista Ana Gomes, tendo em que conta que à época esta era embaixadora de Portugal em Jacarta, Indonésia, questionando mesmo se, na altura, «tomou alguma iniciativa para denunciar a situação».

«Caso não o tenha feito, é cúmplice da situação em que se encontram os estaleiros», afirma a atual administração, liderada desde 2011 por Jorge Camões.

Em causa estão declarações da eurodeputada socialista, citadas pelo jornal «Público», nas quais Ana Gomes refere que a Indonésia manifestou interesse em conhecer os ENVC, no âmbito de uma encomenda para construção de Navios de Patrulha Oceânica (NPO), militares, mas que nunca obteve resposta de Portugal.

«Bastava convidá-los, mas nada foi feito», aponta Ana Gomes, em declarações ao mesmo jornal, referindo-se a um episódio ocorrido entre 2002 e 2004, mas revelador, apontou, da reduzida ambição comercial da empresa pública.

Apesar do interesse publicamente manifestado neste modelo ao longo da última década por marinhas de vários países, os ENVC apenas construíram dois destes navios, entregues à Armada portuguesa entre abril de 2011 e dezembro de 2013, numa encomenda que inicialmente era de oito NPO.