A ex-dirigente do BE Ana Drago assumiu a criação de uma plataforma política de esquerda que congregue «movimentos que já estão no terreno» e que tenha a «seriedade e humildade» de ser colocada «perante os votos dos portugueses».

«Há uma urgência de criar uma resposta política no campo da esquerda que assuma uma disponibilidade essencial em torno da salvação do estado social, daquilo que é a defesa dos valores democráticos e da cidadania social», afirmou Ana Drago aos jornalistas, no final de uma sessão pública da associação Fórum Manifesto, que se desvinculou recentemente do Bloco de Esquerda.

«Um determinado grau de exigência política na sustentação desse modelo de estado social, de sociedade democrática, tem necessariamente que se alargar em termos de diálogo, em termos de muitos movimentos que já estão no terreno, mas também ter a seriedade e humildade de levar essa plataforma política perante o votos dos portugueses, perceber se ela merece ou não a confiança dos portugueses», afirmou.

Ana Drago disse ainda que é «muito cedo para ver a forma institucional» que a plataforma terá, mas identificou como «atores institucionais» as pessoas que integraram o entretanto extinto movimento 3D e o partido Livre, de Rui Tavares.

De acordo com a ex-deputada do BE, «pressente-se hoje na sociedade portuguesa e no campo da esquerda a urgência de ter uma plataforma cidadã que saiba recolocar o debate a esquerda no campo preciso».

«É necessário uma esquerda que esteja disposta a assumir responsabilidades e a encontrar projetos de governação que sejam capazes de salvaguardar aquilo que é fundamental», declarou.

Na sua intervenção, Ana Drago disse que apesar da necessidade de uma força política que construa «pontes e diálogos», tal não significa que «aquilo que tenha que nascer esteja disponível para qualquer coisinha».

Aos jornalistas, a dirigente da Fórum Manifesto disse ter visto com «muitíssima preocupação» o compromisso a dez anos em que convergiram na terça-feira o candidato nas primárias do PS e autarca de Lisboa, António Costa, e o social-democrata ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio.

Daniel Oliveira, que também interveio na sessão que decorreu na Casa da Imprensa, em Lisboa, chamou à proximidade de posições entre Costa e Rio um «namoro indecoroso».

Ana Drago disse que «o PS tem no seu interior um debate fundamental e que será determinante para o futuro do país».

«Acho que a esquerda chamada à esquerda do PS não deve, à partida e antes de esse debate estar concluído, excluir o PS, creio que isso é suicidário para qualquer perspetiva de governação à esquerda», frisou, considerando que se deve respeitar «o tempo e o prazo» do debate interno socialista e afirmando que nenhum contacto oficial foi até ao momento feito com o partido.

Na sessão pública com o tema «Compromisso e Determinação - Para Uma Governação Decente» intervieram também Ricardo Paes Mamede, professor universitário e promotor do Manifesto 3D, José Reis, professor universitário e participante no Congresso Democrático das Alternativas, e Filipa Vala, bióloga.

A Fórum Manifesto anunciou que fará um conjunto de sessões semelhantes pelo país, estando já marcada uma para dia 21 de agosto em Tavira.