O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, considerou este sábado que «quanto mais cedo acontecer» um consenso com o PS nos próximos meses, «melhor serão as condições em que Portugal pode sair do programa de ajustamento».

«As condições em que nós sairmos do programa de ajustamento, de uma forma mais ou menos gravosa para os portugueses, têm uma relação direta com a possibilidade de termos esse consenso. Quanto mais cedo esse consenso acontecer, melhor serão as condições em que Portugal pode sair do programa de ajustamento», disse o governante, à margem de uma visita aos Emirados Árabes Unidos, a convite do homólogo, o príncipe herdeiro Mohamed Bin Rachid al-Maktoum.

Para Aguiar-Branco, os «indícios» que têm sido revelados acerca da economia nacional «são muito animadores».

«O crescimento, a baixa do desemprego, a capacidade que estamos a ter de sair da recessão. Estes indícios, que são muito positivos, reforçam a necessidade de consenso com o PS», apontou.

«Mais importante do que estarmos a falar de cargos, de eleições ou de matérias dessa natureza é nós colocarmos e mostrarmos na prática que o interesse nacional está acima de tudo isso e o interesse nacional reforça a necessidade desse consenso. Acredito que quanto mais cedo surgir, mais sustentável será a nossa capacidade de sair do programa em julho e de forma menos gravosa para os portugueses», acrescentou.

Esta semana, o dirigente socialista Eurico Brilhantes Dias advertiu que, se o Governo PSD/CDS tiver de negociar um programa cautelar com a União Europeia, não terá reunidas as condições políticas para o fazer em nome de Portugal.

Interrogado se o atual Executivo liderado por Pedro Passos Coelho deverá demitir-se, caso Portugal tenha de se sujeitar a um programa cautelar, o membro do Secretariado Nacional do PS deu a seguinte resposta: «O Governo deve assumir as suas responsabilidades».

À margem de um almoço de trabalho com empresários e comunidade portuguesa na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, Aguiar-Branco sublinhou que a decisão da Irlanda, conhecida esta semana, de dispensar outro mecanismo de ajuda para sair do atual programa de ajustamento, reforça «a responsabilidade do PS».

«As condições de lógica política, de consenso político reforçam a capacidade para podermos também nós fazer uma saída semelhante à que a Irlanda faz. O que significa que quanto mais cedo esse consenso acontecer e discutamos isso e não lugares, eleições ou outras matérias, com certeza melhor será assegurada essa saída em condições menos», reforçou.