O PS acusou esta sexta-feira o Governo de querer esconder dos portugueses o «resultado fundamental» da 11ª avaliação da troika ao programa de ajustamento português, lembrando que a «verdade» passará por mais cortes nos próximos anos.

«O país teve mais do mesmo [na 11ª avaliação]. Terá ainda cortes para implementar em 2014, mais cortes adicionais para implementar em 2015, e ainda mais cortes para implementar em 2016», disse Eurico Brilhante Dias, citado pela Lusa.

O membro do Secretariado Nacional do PS adverte que, apesar do «esforço de ocultação» do Governo, «é evidente que o resultado são mais cortes» e critica a «propaganda» do Executivo.

«O Governo vem dizendo que há boas notícias. Mas as boas notícias não servem para mascarar o essencial. O país não cumpriu os objetivos de dívida pública, défice, crescimento do PIB. O país não cumpre os objetivos de desemprego», declarou Eurico Brilhante Dias.

O não cumprimento destas metas leva a uma confrontação com a troika que reclama mais cortes do Estado português, e o Executivo liderado por Pedro Passos Coelho «está disponível para aplicá-los», diz o PS.

«O Governo português comprometeu-se a apresentar nas próximas semanas novas medidas, cortes à troika. E o cheque ficou condicionado à apresentação dessas medidas do Governo», sublinhou o membro do Secretariado Nacional do partido.

Eurico Brilhante Dias disse ainda que o PS «nunca teve dúvidas» que o fim do programa de resgate é o dia 30 de junho de 2014, e fez essa pergunta aos elementos da troika que estiveram em Portugal para a 11ª avaliação.

«É óbvio que aquilo que está nos documentos é o fim do primeiro semestre de 2014. E por isso tivemos a óbvia notícia: o dia 17 de maio, os cronómetros que vêm sendo plantados pelo mais, não são mais que propaganda eleitoral», disse o socialista.

Sobre os apelos do Governo aos consensos com o PS, Eurico Brilhante Dias diz que o Executivo tem um «confronto com a sociedade portuguesa e não com o PS», que «há mais de dois anos e meio que vem dizendo que a estratégia está errada».

«Durante estes anos, nunca o PS foi ouvido. Nunca foi relevante considerar as propostas do PS. Sistematicamente as nossas propostas foram recusadas na Assembleia da República. Mesmo quando o PS procurou entendimentos (...) isso foi recusado. Quando o Presidente da República propôs um acordo interpartidário para o pós-troika, mais uma vez as nossas propostas foram recusadas», recordou o secretário nacional do PS.

O Governo apresentou esta sexta-feira em conferência de imprensa as conclusões da 11ª avaliação da troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) do programa de assistência financeira a Portugal.