António José Seguro afirmou, na noite de domingo, em entrevista à SIC Notícias, que a moção de confiança ao Governo, anunciada por Cavaco Silva, não é o suficiente para restaurar a credibilidade no Executivo. O líder do PS disse ainda que os discursos de Passos Coelho, na passada quinta-feira, contribuíram para o desacordo entre os partidos. O socialista voltou a defender outra solução para o país, alegando que «passa a vida» a falar com líderes europeus.

«Eu não sou primeiro-ministro e passo a vida a falar com líderes europeus», disse Seguro, em entrevista às notícias, justificando desta forma que é possível uma outra postura na Europa para combater a austeridade e as políticas, nomeadamente, de Angela Merkel.

Sobre a decisão de Cavaco Silva, Seguro afirmou que respeita mas discorda da decisão do Presidente da República de manter o Governo em funções, embora já a esperasse, porque o chefe de Estado tinha afastado eleições antecipadas em setembro.

«Defendi eleições antecipadas, considerava que o país tinha a ganhar se os portugueses pudessem escolher um outro Governo, mais confiável, competente e com voz forte na Europa. Não foi esse o entendimento do senhor Presidente da República, discordo, mas respeito a decisão», salientou.

Sobre a moção de confiança, Seguro defendeu que a credibilidade do Governo não se restaura com a moção e lembrou que foi o próprio Presidente da República a admitir que a credibilidade do Governo estava muito afetada.

António José Seguro pronunciou-se também sobre os motivos que conduziram à rutura no processo negocial com o PSD e CDS para a celebração de um acordo de salvação nacional proposto pelo chefe de Estado, Cavaco Silva. «Eu não assino de cruz», disse, revelando que na quinta-feira ainda acreditava num acordo entre os partidos, mas na sexta-feira, na nona reunião, percebeu que não havia condições para acordo. O líder do PS não especificou os motivos que levaram à rutura, mas revelou que o PS não cederia na questão dos cortes de 4,7 mil milhões e que o do discurso de Passos Coelho na moção de censura e o discurso «lamentável» na comissão política do PSD, que lembrou, foi aberta à comunicação social, contribuíram para o desacordo.

Interrogado se assegurou a Cavaco Silva de que poderá prosseguir mais tarde o processo de diálogo com os partidos do atual Governo, o líder socialista respondeu: «Não tenho qualquer compromisso com o Presidente da República nem para futuro, nem fiz nenhum compromisso com o Presidente da República no passado».

Interrogado sobre os riscos para a imagem internacional externa do país se Portugal entrasse agora em eleições antecipadas, António José Seguro contrapôs com «os riscos» e com a imagem deixada pela recente crise no Governo na sequência dos pedidos de demissão dos ministros Vítor Gaspar e Paulo Portas. Seguro reiterou então a tese de que o país ganharia se houvesse já «uma clarificação» política.

O secretário-geral do PS afirmou que se Portugal necessitar de um programa cautelar após junho de 2014, o Governo terá de assumir as suas responsabilidades, porque significará o falhanço da sua política. «Qual o motivo para haver um programa cautelar? É porque este programa falhou? Então, em primeiro lugar, é necessário que o Governo assuma as suas responsabilidades», disse.

Seguro disse ainda que não cedeu a pressões em torno do processo de diálogo com PSD e CDS e negou que tenha prometido a Mário Soares ou Manuel Alegre que nunca assinaria um acordo.

«Muita gente falou em pressões sobre mim. Havia muita gente no interior do PS que não queria que eu entrasse no processo de diálogo, que não queria que houvesse acordo, independentemente do seu conteúdo. Falo em personalidade, em pessoas, em opiniões que são todas respeitáveis. Eu não cedi», frisou António José Seguro na entrevista.