A coordenadora do Bloco de Esquerda acusou, na quarta-feira, o primeiro-ministro de todos os anos anunciar, no Pontal, a recuperação económica «que nunca aconteceu» e instou a população a ir à festa do PSD pedir esclarecimentos.

A dirigente do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que falava num comício no calçadão de Quarteira, a metros de onde se vai realizar na sexta-feira à noite a Festa do Pontal com a presença do primeiro-ministro descreveu o evento como «a festa onde [Passos Coelho] sempre prometeu a recuperação económica que nunca aconteceu».

«A cada ano dizia que para o ano é que era, lembram-se? Todos os anos veio aqui ao Pontal dizer para o ano é que é e nunca foi. E daqui a dois dias, o que o povo de Quarteira e o povo que está em Quarteira pode ir perguntar ao senhor primeiro-ministro é que sinal positivo vê ele nos 15 mil funcionários públicos que quer despedir?», desafiou Catarina Martins, perante dezenas de pessoas, entre as quais o antigo líder do partido Francisco Louçã.

Em relação aos números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística na quarta-feira, que indicaram um crescimento da economia portuguesa de 1,1% em cadeia no segundo trimestre do ano, a coordenadora do Bloco de Esquerda considerou «precipitado» dizer que Portugal está a sair da recessão, uma vez que, em termos homólogos face a 2012, o Produto Interno Bruto desceu dois por cento.

«Que sinal positivo pode haver para a nossa economia se o Governo continua a insistir em tudo o que destrói o país?», inquiriu Catarina Martins, que acusou o executivo de só saber «criar destruição».

De acordo com a estimativa rápida hoje divulgada, a economia terá crescido 1,1% entre abril e junho deste ano, em comparação com os primeiros três meses do ano, altura em que caiu 0,4% também em cadeia (face ao trimestre imediatamente anterior).

No entanto, em termos homólogos o PIB continua a cair. A quebra apresentada neste segundo trimestre do ano foi de 2% face a igual período do ano passado, e só não foi mais expressiva devido a uma queda mais leve do investimento (em especial na construção) e por um efeito de calendário (a celebração da Páscoa em março deste ano, quando no passado foi em abril) que provocou assim uma aceleração expressiva das exportações de bens e serviços.

Catarina Martins disse ainda ser preciso uma «alternativa à esquerda» que reúna elementos de vários partidos e lançou um apelo aos socialistas que pretendam participar.

Num discurso em Quarteira, a metros do local onde se vai realizar na sexta-feira a Festa do Pontal do PSD, a coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou que um cenário desse tipo só pode avançar com «gente de vários partidos» que diga o «essencial: o país nunca poderá pagar esta dívida como ela está e terá de a renegociar».

«Sabemos que independentemente do que disser [o secretário-geral do PS] António José Seguro, há muitos socialistas que também querem esse caminho. Fazêmo-lo abrindo todas as portas porque temos de ser cada vez mais», afirmou a dirigente do Bloco de Esquerda, perante figuras do partido como Francisco Louçã, Pedro Filipe Soares e Mariana Mortágua.

Catarina Martins recordou que, em julho, «o PS preferiu até à última hora negociar com o Governo do que se sentar com o Bloco de Esquerda em reuniões que tinham dois pontos na agenda, sem condições: o que fazer com a dívida, que está impagável, e o que fazer com os serviços públicos».

«O PS disse que não estava interessado. Que estava interessado em negociar com o Governo a tal salvação do programa de ajustamento da troika. Fez mal», disse a dirigente bloquista.