Aos 79 anos, Henrique Neto mantém-se firme na corrida para Belém, apesar do mal estar que provocou no interior do partido. Algo que não o surpreende, tendo em conta posições que assumiu muitas vezes e ao longo dos últimos anos. 

"Compreendo o incómodo (do PS). A partir do momento em que assumi uma posição crítica no interior do partido - e isso começou quando eu estava no parlamento, nos anos 90 - isso não é simpático nos partidos que gostam do conformismo, gostam de yes man, de pessoas que concordam com tudo o que é feito."

Henrique Neto não esconde críticas ao atual governo, mas entende que os erros de governação vêm de trás. E não poupa críticas a José Sócrates e ao seu trabalho, dentro do executivo mas também do partido.

"Houve um período negro no Partido Socialista que foi o governo anterior. Eu achava que para defender o PS, para que o PS se apresentasse nestas eleições de cara lavada, sem responsabilidades, implicava novas caras, gente provavelmente mais competente, que a sociedade portuguesa reconhecesse como competente, séria e honrada - e há muitos socialistas sérios, honrados e competentes - mas não foram esses que foram escolhidos."

Henrique Neto deseja ver mais fiscalização do parlamento à atuação dos governos, e um processo de regeneração nos partidos políticos. E está confiante, pelo seu percurso e trabalho, de que tem soluções para o país e até o perfil certo para se tornar Presidente.

"Um Presidente tem de ter sabedoria, conhecimento, deve ter estudado os problemas do país, ter escrito sobre eles, ter dito o que o país precisa e ter, naturalmente, capacidade de diálogo. Com os portugueses, em primeiro lugar, e com os governos, quaisquer que sejam. Não acredito que qualquer primeiro-ministro, seja ele quem for, queira o mal do país. E os erros que têm sido cometidos são por falta de preparação."

Henrique Neto diz que apresentou a sua candidatura cedo para poder ter intervenção pública durante a campanha para as legislativas, alertando para falsas promessas. Diz ainda que não será por ele que a esquerda será derrotada nas presidenciais de 2016.

"Se alguém divide a esquerda são os candidatos que vieram depois de mim. Ou não?"