O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, e a deputada do PS Inês de Medeiros citaram esta sexta-feira a personagem Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, numa discussão parlamentar sobre a RTP e o futuro conselho geral independente da empresa.

Dirigindo-se a Poiares Maduro em debate na generalidade, Inês de Medeiros começou por lembrar o anterior ministro com a tutela da comunicação social, Miguel Relvas, declarando que foi com o ex-ministro que «começou o total e absoluto descalabro» nas decisões sobre a RTP.

«Foram aí que começaram as decisões absolutamente arbitrárias», declarou a parlamentar socialista, que posteriormente acusou Poiares Maduro de «desviar as atenções para outras questões», tendo agora como «causa maior» uma suspeita de «eventual politização» na empresa.

«Esta sua preocupação maior só me lembra o Dom Quixote sem o talento, sem o caráter picaresco, e hoje até sem o seu Sancho Pança», declarou Inês de Medeiros.

Na resposta, o governante citou também a obra do espanhol Cervantes, quando Dom Quixote dizia que o mal e o bem «não duram para sempre». «Como temos tido tanto mal, no caso da RTP, tanto barulho, finalmente o bem está para chegar», enalteceu Miguel Poiares Maduro no debate na generalidade das propostas de alteração à Lei de Televisão e Rádio e novos estatutos da RTP.

Em novembro, num debate sobre o Orçamento do Estado para 2014, o ministro havia também feito uma referência literária, no caso ao livro de Lewis Carroll «Alice no País das Maravilhas».

Numa resposta então à deputada do Bloco de Esquerda Cecília Honório sobre o arquivo da RTP, Poiares Maduro manifestou-se espantado com a questão e afirmou: «Só me recorda a Alice no País das Maravilhas quando diz: ainda não é pequeno-almoço e eu já acreditei em seis coisas impossíveis».

As referências às personagens do livro não se ficaram, no entanto, por aqui. Poiares Maduro voltou na sua última intervenção no referido debate a citar a obra de Lewis Carroll, desta feita, em resposta ao PS.

«Devo dizer que a minha personagem favorita não é a Rainha de Copas, sempre preferi o Gato Persa», a quem a Alice, quando o encontrou numa bifurcação duma estrada perguntou qual era o caminho.

«O Gato disse: isso depende de onde quer chegar», continuou o ministro, sublinhando: «Nós sabemos onde queremos chegar. A grande dificuldade da Alice é ter de fazer escolhas».