O Governo vai refletir sobre o modelo dos «briefings» com a imprensa e deverá alterá-lo, anunciou esta terça-feira o ministro Poiares Maduro, afirmando não querer que um meio para melhorar a transparência se torne numa «fonte de ruído».

«Como não quero que o próprio meio, o próprio instrumento, se transforme numa fonte de ruído que afete a finalidade que nós queremos atingir - que é a de uma comunicação regular, transparente, de disponibilização de informação à comunicação social e aos cidadãos -, iremos pensar como melhor evoluir, eventualmente de forma mais progressiva, eventualmente com uma regularidade diferente, eventualmente com um formato ligeiramente alterado», afirmou o ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional.

Miguel Poiares Maduro e o seu secretário de Estado adjunto, Pedro Lomba, vão de férias e quando regressarem deverão introduzir essas alterações ao modelo do contacto com a imprensa, informou.

«Eles têm assumido tal natureza de debate, provavelmente, pela coincidência infeliz de os primeiros "briefings" terem coincidido com um contexto de crise política. Penso que ninguém associará essa crise política à existência dos "briefings", mas, aparentemente, algumas pessoas gostam de fazer isso», disse.

«Eu acho que isso dá uma piada interessante num programa de humor, mas do ponto de vista da análise jornalística e política não me parece apropriado. Não foram os "briefings" que deram origem a uma crise política», defendeu.

O ministro começou o "briefing" afirmando que desde que assumiu funções governativas que tem insistido na «importância de contribuir para uma melhor cultura política, mais centrada no debate público sobre as opções de política pública, sobre opções de fundo e menos sobre tática política, uma cultura política com maior transparência e mais disponibilização de informação aos cidadãos».

«Numa democracia, a prestação regular de informação por parte do Governo aos cidadãos e aos cidadãos através da comunicação social deve ser entendido como algo absolutamente normal, considero que isso é mesmo um dever de qualquer Governo, o formato exato desses encontros regulares do Governo com a imprensa é que pode variar e varia muito em diferentes partes do globo, em diferentes modelos democráticos», sustentou.

Poiares Maduro afirmou que, apesar das eventuais afinações ao modelo dos encontros com a imprensa, mantém a finalidade de contribuir uma «melhor cultura política».

Os «briefings» começaram por ser diários, arrancando a 1 de julho, foram suspensos dois dias depois, após a crise política provocada pelas demissões de Vítor Gaspar e de Paulo Portas, e retomados no final de julho, tendo sido anunciado que teriam a forma de bissemanais durante o mês de agosto. No total, realizaram-se seis encontros do Governo com a imprensa.