O líder do movimento político espanhol Podemos lamentou, neste sábado, que Espanha não possa contar com um Partido Socialista como o português, acusando de incoerência o PSOE, por dizer que quer negociar à esquerda, mas depois pactua com a direita.

"Infelizmente, em Espanha não contamos com um Partido Socialista como o de Portugal. Quando vi o secretário-geral do PSOE vir aqui isso despertou muitas expectativas”, porque “falou de um Governo à portuguesa” [com o apoio da esquerda], mas “três dias depois, pactuou com a direita a composição da mesa do Congresso", afirmou Pablo Iglesias, que participa hoje no megacomício da candidata presidencial portuguesa apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE), Marisa Matias, em Lisboa.

Quando questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de um novo ato eleitoral para ultrapassar o impasse governativo em Espanha, o líder do Podemos foi perentório: "Nós não desejamos que haja novas eleições em Espanha mas não vamos permitir, nem ativamente nem passivamente, que governe o PP [Partido Popular, de direita, que estava no poder]".

O secretário-geral do Podemos acusou o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sanchéz, de um dia, quando reuniu com o líder socialista António Costa, dizer Portugal e "quando volta a Espanha prefere dizer Alemanha", numa referência ao facto de o centro-esquerda alemão (SPD) ter viabilizado o governo de Angela Merkel (CDU, de direita).

"Oxalá em Espanha contássemos com um Partido Socialista que demonstrasse algo parecido com aquilo que demonstrou o português", reiterou, considerando que os socialistas "em Portugal tomaram uma decisão positiva em relação a setores que defendiam continuar entrincheirados com os poderosos".

Iglesias abordou ainda as “linhas vermelhas” nas negociações do Podemos para viabilizar um executivo socialista, reagindo à alegada intransigência do seu movimento sobre a independência da Catalunha, uma matéria que o PSOE não quer sequer discutir.

"Quem estabeleceu que há temas dos quais não se pode falar e quem disse uma coisa e fez outra foi o PSOE. O PSOE disse que não se poderia sentar a uma mesa com as formações políticas que defendiam a independência da Catalunha. Não é o nosso caso. Nós defendemos a unidade de Espanha, mas somos democratas", enfatizou.

O líder do Podemos garantiu que o partido vai "trabalhar para que haja uma alternativa ao PP". No entanto, “para construir uma alternativa ao PP, o mais razoável é não compactuar com o PP", ironizou, considerando que isso foi o que fez o PSOE em relação à mesa do congresso.