O líder da tendência do CDS-PP - Alternativa e Responsabilidade defendeu esta terça-feira que a indefinição de uma coligação com o PSD coloca os centristas numa situação de «grande debilidade» e limita a capacidade de realizar um referendo ou Congresso. 

«Parece que o CDS está completamente nas mãos do PSD. É essa a perceção que existe e é de uma grande debilidade política. É notório que o CDS não quer falar sobre o assunto e quer adiar qualquer referência ao assunto», disse à Lusa Filipe Anacoreta Correia.


O líder da Alternativa e Responsabilidade (AR) assinala «vários sinais públicos de mau estar» entre PSD e CDS-PP, que manifestam, ambos, «uma relação pouco sólida na capacidade de abraçar um projeto conjunto que seja mobilizador», de que as declarações do porta-voz social-democrata, Marco António Costa, na segunda-feira são «mais um exemplo».

Após um encontro com o secretário-geral do PS, António Costa, o porta-voz do PSD disse ter proposto ao PS uma «plataforma de diálogo permanente» com representantes dos dois partidos, mas que os socialistas só estiveram disponíveis para dialogar depois das legislativas.

Questionado se o CDS-PP ficaria de fora dessa «plataforma», Marco António Costa respondeu: «Essa matéria objetivamente é alargada a todos os que quisessem participar neste diálogo».

Filipe Anacoreta Correia defende que a decisão de os centristas concorrerem coligados com o PSD deve ser tomada de forma «o mais alargada possível», em Congresso ou referendo interno, como forma de «comprometer o partido com um rumo e um projeto», e teme que o arrastar da indefinição deixe o partido sem tempo para organizar aqueles processos e coloque «os militantes perante factos consumados».

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«Não entendo a insistência da insinuação do CDS de que vai trabalhar na base de uma coligação quando, ao mesmo tempo, insinua falta de empatia, no mínimo, às vezes até deslealdade, outras incompetência», declarou.

«Estou à espera que o partido esclareça isso, já esperava que isso acontecesse no último Conselho Nacional», sublinhou, referindo-se à última reunião do órgão máximo do partido entre congressos, em dezembro passado, que não tomou qualquer decisão sobre a coligação.

Filipe Anacoreta Correia disse ter «alguma expectativa que neste início do ano sejam tomadas decisões» sobre a coligação, referindo que o presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, «já habituou a que as decisões sejam tomadas quando ele entende», mas contrapõe que «o CDS não pode ficar refém disso».

Para o líder do AR, que há um ano concorreu contra Paulo Portas no Congresso e obteve mais de 16% de votos, o vice-primeiro-ministro e presidente centrista, assim como Passos Coelho, «têm o grande desafio de construir uma coligação que tem que ser mais do que jurídica, tem que ser sólida», cita a Lusa.