O Parlamento perdeu a petição subscrita por quase 10 mil pessoas, a pedir a reabertura da comissão de inquérito aos submarinos, noticia o «Jornal de Notícias». 
 
O documento foi entregue há quinze dias, a 22 de janeiro, através do site do Parlamento, mas segundo aquele diário, a Assembleia da República garante que não entrou qualquer texto na plataforma das petições online.

A petição acabou por ser reenviada esta segunda-feira, tendo o secretário-geral da AR garantido que esta foi a primeira vez que a recebeu.
 
Os autores da petição - que pretendem que se concentra apenas na aquisição dos dois submarinos alemães Tridente e Arpão - garantem que têm o comprovativo do sucesso da submissão do documento e que não ficaram surpreendidos, uma vez que o texto «alude a novos dados sobre o caso, como as reuniões do Grupo Espírito Santo».

De qualquer modo, já submeteram novamente a petição e vão entregar o mesmo texto, à embaixada alemã, pelo facto de a Alemanha ter recusado colaborar com a investigação portuguesa. As autoridades daquele país realizaram buscas na Ferrostaal, mas não disponibilizaram os documentos apreendidos.
 
O Ministério Público arquivou o caso dos submarinos, em dezembro, por alegada prescrição dos factos em junho de 2014.

Entretanto, a eurodeputada do PS Ana Gomes, que foi assistente do processo arquivado pelo Ministério Público, voltou a trazer o tema para os órgãos de comunicação social, ao defender que «há indícios para investigar» Paulo Portas e Durão Barroso: o primeiro por ter sido ministro da Defesa (2002 a 2005), com um «papel relevante» no negócio da compra; o segundo, porque era primeiro-ministro nessa altura.

Essas declarações motivaram uma reação do atual vice-primeiro-ministro , que acusou Ana Gomes de ser «compulsivamente mentirosa». A eurodeputada socialista usou o Twitter para responder a Paulo Portas, continuando a apresentar os seus argumentos para reabrir a investigação. 

Entretanto, no fim de semana, o «Expresso» noticiou que houve erros nas transcrições das escutas a Paulo Portas no caso dos submarinos. Esses erros levantaram suspeitas quanto a uma conversa de 2004, em que o na altura ministro da defesa falava de uma viagem ao Canal de Kiel, na Alemanha. Na transcrição feita pelo Ministério Público, «kiel» transformou-se em «aquilo» [um assunto] e «canal» em «Canalis»  [como sendo uma pessoa}.

Essa suspeita foi um dos argumentos utilizados por Ana Gomes para requerer a reabertura do caso, mas, ao que tudo indica, a transcrição foi mal feita.