O PS acusou esta quarta-feira o Governo de se manter "fiel" ao modelo de austeridade do ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar, classificando como "socialmente inaceitável" e "economicamente injustificável" um novo corte nas pensões já atribuídas.

Estas posições foram assumidas pelo vice-presidente da bancada socialista Vieira da Silva, na abertura do debate de urgência requerido pelo PS sobre "cortes nas pensões" - um tema que resultou do facto de a ministra das Finanças ter admitido esse cenário, no último sábado. 

"O corte das pensões em pagamento foi das medidas mais recessivas que a economia portuguesa viveu nos anos deste Governo. A insistência da maioria PSD/CDS nesta receita mostra a sua fidelidade ao modelo de ajustamento de Vítor Gaspar, mostra que o pós-troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) não mudou a crença de uma austeridade a todo o custo e com alvos escolhidos"


Depois desta acusação, o ex-ministro socialista Vieira da Silva voltou, como fez ontem, a rejeitar qualquer acordo com o Governo e com a maioria PSD/CDS em torno de uma poupança de 600 milhões de euros no sistema de pensões.

"Não é socialmente aceitável, nem economicamente justificável que se renove a ameaça de cortar mais as pensões atribuídas. Não somos parte de uma política que já está a provocar mais instabilidade e mais incerteza nas famílias e na economia", afirmou.

Com a ministra de Estado e das Finanças presente no debate, o vice-presidente da bancada socialista também se procurou antecipar a uma previsível explicação de Maria Luís Albuquerque sobre a real intenção do executivo ao nível da sustentabilidade da Segurança Social, designadamente sobre a questão das pensões.

"É indiscutível que a maioria PSD/CDS e o Governo tomaram uma decisão sobre o sistema de pensões, quantificaram essa decisão [600 milhões de euros] e integraram essa decisão na comunicação à Comissão Europeia. Não há pois artifício de dialética parlamentar ou estratégica mediática que possa esconder este facto", acrescentou.

Também sobre este tema, mas forra do Parlamento, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, defendeu hoje que as reformas na área da Segurança Social devem ser objeto de consenso entre, pelo menos, os três partidos do arco da governabilidade.

“O governo disse há um ano, disse há dois meses, e volta dizer agora, as reformas na área da segurança social têm de ser objeto de um consenso, pelo menos, entre os três partidos do arco da governabilidade, e quem procura um consenso não vai estar a criar modelos ou preferências, porque, evidentemente, isto tem de ser sujeito a uma negociação"


Portas falava à margem da Conferência "Português: língua de oportunidades", organizada no âmbito dos 150 anos do Diário de Notícias, na qual participou, tendo reagido também ao relatório da Inspeção-Geral de Finanças sobre a lista VIP, defendendo que o mesmo levanta "questões sérias" sobre o funcionamento do Fisco.