A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, defendeu este sábado a necessidade de combater as práticas "muito agressivas" da banca na concessão de crédito às famílias, para evitar resultados "que podem ser devastadores".

[É necessário] combater as práticas muito agressivas da banca e eu lembro que o Bloco de Esquerda já no passado fez vários projetos precisamente para proteger as famílias das práticas muito agressivas da banca e que depois têm resultados que podem ser devastadores na vida de cada um e de cada uma", afirmou.

Catarina Martins, que falava em Braga, durante uma visita ao Mercado Municipal, reagia, assim, aos dados do Banco de Portugal sobre o crescimento do crédito concedido às famílias.

Quando há crescimento económico e as pessoas têm algum alívio, os bancos tendem outra vez a impor mecanismos de crédito às vezes muito agressivos", sublinhou.

Para Catarina Martins, a principal razão por que há muito crédito às famílias com pouco dinheiro em Portugal tem que ver com os baixos salários.

Por isso, a líder bloquista defendeu que a solução passa por uma legislação laboral que fortaleça os salários, "para que o crescimento reverta a favor de quem trabalha".

"A principal forma de distribuir riqueza no país e de garantir que o crescimento económico chega a todos e a todas é valorizar salários e pensões", rematou.

Legislação sobre reformas aos 60 anos antes do OE

Catarina Martins defendeu, também este sábado, que a legislação para permitir a reforma por inteiro aos 60 anos de quem começou a descontar antes dos 15 anos deve estar pronta antes do próximo Orçamento do Estado.

Achamos que este pacote específico para vítimas de trabalho infantil, para quem começou a descontar antes dos 15, deve estar pronto o mais rápido possível e antes do Orçamento do Estado [para 2018]", referiu.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, falava em Braga, após uma visita ao Mercado Municipal, onde que foi confrontada por muitos populares com longas carreiras contributivas, mas que continuam sem ter direito à reforma.

Dar já o direito à reforma a quem tem 60 anos e começou a trabalhar criança é uma medida comportável do ponto de vista financeiro pela Segurança Social sem nenhum problema", afirmou.

Catarina Martins acrescentou ainda que essa é uma medida "da mais elementar justiça" para a geração que foi "vítima de trabalho infantil" e para os jovens atuais que querem entrar no mundo do trabalho.

Por isso, Catarina Martins defendeu que essa matéria deve ser legislada de imediato.

"Sem prejuízo de, depois, continuarmos a negociar sobre outras matérias das pensões", ressalvou.