O PSD considerou esta quinta-feira que o relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios confirma que "o Estado falhou" e apontou como responsáveis a ministra da Administração Interna e o primeiro-ministro, que a mantém em funções.

O PSD não pede a demissão da ministra da Administração Interna porque o PSD não pede a demissão de nenhum membro do Governo, mas chama a atenção de que, a partir do momento em que temos este relatório nas nossas mãos, é absolutamente impossível que o poder político fique alheado destas conclusões", afirmou o vice-presidente da bancada do PSD Carlos Abreu Amorim, em conferência de imprensa no parlamento.

O social-democrata defendeu ainda que, perante as conclusões do relatório divulgado, "está tecnicamente provado" que "o Estado falhou" e, portanto, deve assumir as suas responsabilidades.

Questionado se o PSD pretende o pagamento imediato de indemnizações às vítimas dos incêndios que deflagraram em Pedrógão Grande, Carlos Abreu Amorim denunciou o que classificou como "boicote parlamentar" do PS.

De acordo com o deputado do PSD, na quarta-feira à noite, na Comissão de Agricultura, o PS apresentou uma série de iniciativas que "esvaziam" um diploma já aprovado na generalidade - com o acordo de PSD, CDS, PCP e BE - e que previa a criação de um mecanismo extrajudicial para um pagamento das indemnizações em cerca de seis meses.

"Aquilo que vai existir com este boicote parlamentar do PS, a que os partidos de extrema-esquerda aderiram, foi que as regras normais da indemnização é que vão passar a ser aplicadas nos casos dos lesados de Pedrógão", acusou, considerando que em vez de seis meses vão ter de esperar "anos e anos" até poderem ser indemnizados.

Para o PSD, a ministra Constança Urbano de Sousa "está completamente desconsiderada": "A senhora ministra da Administração Interna falhou, o sistema de prevenção falhou, o sistema de combate falhou".

Neste momento é fundamental que o senhor primeiro-ministro tenha a consciência de que não é possível continuar a esconder a verdade", apontou.

Questionado se entende que a ministra tem condições para se manter no cargo, Abreu Amorim voltou a remeter essa questão para o Governo: A aferição dessas condições compete a duas pessoas: em primeiro lugar, à senhora ministra e, em segundo lugar, àquele que é responsável pela sua nomeação e manutenção".

Por sua vez, o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, defendeu que, perante as conclusões da comissão e as declarações do primeiro-ministro, a ministra da Administração Interna "já está demitida, só não sabe quando".

Acho que perante este relatório e perante até as respostas do senhor primeiro-ministro a senhora ministra da Administração Interna já está demitida, só não sabe é quando", afirmou Nuno Magalhães aos jornalistas, em conferência de imprensa, no parlamento.

Numa "leitura preliminar" ao relatório, o CDS entende que ficou "claro que houve falha de planeamento, houve falha de comando, houve falha de ação, houve falha de meios no local certo e no momento certo".

"Em suma, falhou a competência", vincou.

A Comissão Técnica Independente apresentou esta quinta-feira o relatório sobre os incêndios que devastaram a região Centro, em junho. O documento diz que as "opções táticas e estratégicas" tomadas contribuíram para as "consequências catastróficas" do fogo de Pedrógão Grande.

O relatório refere ainda que o atual comandante nacional da Proteção suspendeu a fita do tempo e que isto pode "ter impedido que se conheça completamente o que se passou".