O líder parlamentar do PS, Carlos César, comunicou esta quinta-feira formalmente ao seu homólogo social-democrata, Luís Montenegro, a concordância dos socialistas com a proposta de criação de uma comissão técnica independente referente ao incêndio de Pedrógão Grande.

Na quarta-feira, o líder parlamentar do PSD escreveu aos presidentes de todas as bancadas desafiando-os para, em conferência de líderes, alcançarem um consenso urgente sobre o "modo de constituição e funcionamento" da Comissão Técnica Independente proposta pelos sociais-democratas na terça-feira sobre as causas e circunstâncias diversas que estiveram na origem da tragédia ocorrida no sábado em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, que fez até ao momento 64 mortos.

"Venho transmitir-lhe a concordância do meu grupo parlamentar [do PS] para a criação de uma comissão técnica independente, com a composição e nos termos a acordar entre os partidos parlamentares", escreveu Carlos César na carta de resposta dirigida a Luís Montenegro e à qual a agência Lusa teve acesso.

Carlos César salienta depois que essa comissão técnica independente deve proceder às indagações e diligências necessárias ao melhor esclarecimento de "questões concretas e objetivas" envolventes dos procedimentos, organização e decisões tomadas no âmbito das ações de combate aos incêndios ocorridos e dos quais resultaram elevadas perdas humanas".

Para o presidente do Grupo Parlamentar do PSD, esta comissão técnica independente deverá "apurar o que se passou no incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande e que causou pelo menos 64 mortos".

Luís Montenegro pede em seguida que esse consenso seja alcançado "de forma célere" para que a atividade da comissão "possa iniciar-se sem perdas de tempo".

É nossa predisposição declarada que cada Grupo Parlamentar possa sugerir os especialistas de reconhecido mérito em condições para serem membros da comissão. Nesse sentido, devemos em conferência de líderes, com caráter de urgência, acertar a composição, o funcionamento e os fins, da Comissão Técnica Independente que agora propomos", defendeu o presidente da bancada social-democrata.

O incêndio, que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, segundo o último balanço, divulgado esta quarta-feira. É o mais mortífero da história do país.

O fogo começou em Escalos Fundeiros, e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

O incêndio consumiu cerca de 30 mil hectares de floresta, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.