A ministra da Administração Interna garantiu hoje que “não existe uma lista secreta” das vítimas mortais do incêndio de Pedrogão Grande, sublinhando que os nomes constam de um processo judicial que está em segredo de justiça.

Não existe nenhuma lista secreta. Todas as pessoas foram identificadas pelo Instituto de Medicina Legal” como tendo morrido “na consequência direta desse incêndio", disse aos jornalistas Constança Urbano de Sousa.

A ministra adiantou que a lista das vítimas do incêndio que deflagrou a 17 de junho em Pedrogão Grande, distrito de Leiria, “consta de um processo judicial”, que o Ministério Público classificou como segredo de justiça.

Constança Urbano de Sousa garantiu também que há registo de 64 vítimas mortais, sendo este o número que consta de “uma lista que está com o MP e que foi devidamente certificada não só pela Polícia Judiciária, mas também pelo Instituto Nacional de Medicina Legal (INML).

Não é o Governo que tem a lista, é o MP, que é independente do Governo”, afirmou.

Questionada sobre critérios da constituição da lista de vítimas mortais, a ministra sublinhou que são de natureza “muito objetiva” e são definidos “naturalmente” pelas entidades competentes, designadamente o MP e a PJ.

A ministra reafirmou que os critérios definidos pelas autoridades para apurar as mortes decorrentes do incêndio estão ligados à inalação de fumo e a queimaduras.

As vítimas mortais são aquelas que sofreram “uma qualquer lesão em consequência direta” do fogo, acrescentou.

Neste momento, o MP tem todas essas vítimas referenciadas num processo que abriu, e, desde a primeira hora, esteve no terreno. Durante aquele período e o seguinte houve equipas multidisciplinares que tiveram por todas as aldeias, foi batido todo o terreno, nomeadamente por militares, e não houve notícia de [mais] mortos relacionadoscom o incêndio.

O incêndio, que deflagrou a 17 de junho em Pedrogão Grande, provocou, pelo menos, 64 mortos e mais de 200 feridos, tendo consumido cerca de 50 mil hectares e durado uma semana.