O presidente do PS, Carlos César, disse esta sexta-feira ter informações segundo as quais muitas das pessoas afetadas pelo incêndio de Pedrógão Grande já receberam ajuda, sublinhando que os apoios devem ser dados “em consonância com o enquadramento legal respetivo”.

Confrontado com as acusações do vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Luís Campos Ferreira, de que o Governo está a fazer "uma gestão política" da tragédia de Pedrógão Grande e que as vítimas dos incêndios e familiares continuam à espera das ajudas, Carlos César disse ter informações contrárias a essa.

Eu não tenho essa informação, tenho de resto a informação de que muitas pessoas já tiveram essa ajuda e tenho sobretudo a informação, que compete a um Governo que preserva a sua seriedade e o Estado de direito e a legalidade, de que esses apoios devem ser dados em consonância com o enquadramento legal respetivo, não descurando evidentemente a urgência e emergência que está em causa”, respondeu Carlos César aos jornalistas.

O presidente do PS recusou, contudo, entrar em trocar de argumentos sobre esta matéria com o PSD, a quem acusou de “erosão moral” no tratamento que tem feito dos incêndios e de “utilizar da pior forma e com a maior imoralidade qualquer aspeto que tivesse falhado ou falhe” nesse caso.

Não vamos por esse caminho, não vamos seguir o caminho da erosão moral do percurso do PSD e do CDS no aproveitamento do sofrimento das pessoas que foram afetadas por estas tragédias de Pedrógão”, disse Carlos César, que falava aos jornalistas à margem da apresentação da recandidatura de Joaquina Matos à presidência da Câmara de Lagos.

Nós bem sabemos e recordamos o que o dr. Passos Coelho afirmou a determinado passo deste processo, bem sabemos também o passo em falso dado pelo PSD quando se tratou da listagem das vítimas de Pedrógão”, acrescentou.

"Não aconteceu nada de real"

O vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Luís Campos Ferreira, acusou o Governo de fazer "uma gestão política" da tragédia de Pedrógão Grande, afirmando que as vítimas dos incêndios e familiares continuam à espera das ajudas.

Passou mais de mês e meio e ainda não aconteceu nada de real, nada de concreto para ajudar as vítimas e os familiares das vítimas", afirmou Luís Campos Ferreira, em declarações à agência Lusa.

Passado um mês e meio, as ajudas "prometidas" ainda não chegaram às pessoas que "continuam de mãos vazias", disse Luís Campos Ferreira, criticando ainda o primeiro-ministro, António Costa, por "continuar a fazer anúncios" sobre a reforma da floresta.

O deputado frisou que as iniciativas legislativas, entre as quais projetos do PSD, sobre a reforma da floresta que foram aprovados no final da sessão, em julho, tinham sido apresentadas há mais de um ano no Parlamento.