O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, disse este sábado que não volta com a palavra atrás e que vai apresentar o livro do jornalista José António Saraiva, mas espera que este assunto não seja transformado num questão de natureza partidária.

"O arquiteto José António Saraiva convidou-me para me associar ao livro que ia fazer e respondi que sim, mesmo antes de conhecer a obra e aceitei fazê-lo. Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito. Estarei a fazer a apresentação dessa obra", afirmou aos jornalistas durante uma visita a Proença-a-Nova, na aldeia de xisto da Figueira.

Questionado sobre os comentários proferidos pelo presidente do PS, Carlos César, sobre o assunto, disse que não faz nenhum comentário porque não comenta questões desta natureza nos outros.

"Penso que o mais importante é que tudo o que se passa no plano editorial e jornalístico se faça dentro de certos limites, mas respeitando a liberdade das pessoas e aquilo que são as suas opiniões e visão", disse.

O presidente social-democrata disse que tem respeito por José António Saraiva: "Julgo que isso é o que aqui mais quero destacar, quando decidi aceitar o convite que ele me dirigiu e mais não digo".

"Não vou defender o livro nem as suas perspetivas, mas espero que o que quer que as pessoas venham a achar do livro, qualquer que seja a polémica que ele venha a ter, que não seja transformada numa questão de natureza partidária", concluiu.

"Eu e os políticos" - O que eu não pude (ou não quis) escrever até hoje - é o nome do livro de José António Saraiva, antigo diretor do Expresso e do Sol, que vai ser apresentado no dia 26, em Lisboa.

"Nunca governei por causa das sondagens" 

Pedro Passos Coelho disse também este sábado que nunca governou por causa de sondagens e agora, na oposição, também não pensa nelas, apesar de realçar que o PSD e o CDS em conjunto continuariam a ganhar as eleições.

"Tenho acompanhado mais ou menos as sondagens. Nunca governei por causa das sondagens ou a pensar nelas, e não estou na oposição a pensar nelas", disse o presidente do PSD.

O líder social-democrata, que falava aos jornalistas à chegada a Proença-a-Nova, adiantou, no entanto, que tem acompanhado a sondagem que foi divulgada este sábado.

"Elas mostram que o PSD e o CDS, nesta altura, continuariam em conjunto a ganhar as eleições, o que é muito curioso, sobretudo depois de vermos a forma populista como o Governo se tem comportado, oferecendo mais risco e também mais facilidades na governação do que nós teríamos feito porque somos gente com mais prudência e mais cautela", sustentou

Passos Coelho diantou que aquilo que o preocupa é que os portugueses saibam com o que podem contar de quem está na oposição: "quem esta hoje na oposição e esteve ontem no Governo, não muda a maneira de estar, e as convicções que defende para o país só porque está na oposição", sustentou.

"É uma coerência que penso que é importante para os portugueses e ainda há um núcleo muito alargado de pessoas que o valorizam e isso é um estimulo também", concluiu.

Não comenta Orçamento de 2017 por Governo não dizer o que vai fazer

O presidente do PSD explicou ainda este sábado que se recusou recentemente a comentar o Orçamento de Estado para 2017, porque o Governo ainda não disse o que é que vai fazer.

"O Governo ainda não disse o que é que vai fazer e essa foi a razão porque eu disse, recentemente, que não comentava o OE para 2017, porque não sabemos o que vai ser e o que vai ter", afirmou Passos Coelho durante a visita a Proença-a-Nova.

Questionado sobre as medidas que têm sido anunciadas sobre o imposto sobre o património, o líder social-democrata sublinhou que se tratam de medidas que andam a ser negociadas no seio da maioria para, posteriormente, serem apresentadas.

"Até elas [medidas] tomarem uma forma definitiva não vale a pena [comentar]. Acho que não vale a pena estarmos a perder tempo com essa discussão", frisou.