O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou não compreender “a passividade do Governo” socialista no conflito dos estivadores do porto de Lisboa e pediu para evitar consequências negativas como o anunciado despedimento coletivo.

Os operadores do porto de Lisboa anunciaram que avançaram esta segunda-feira com os trâmites para o despedimento coletivo que poderá abranger os 320 trabalhadores, por há mais de um mês o porto estar paralisado devido à greve dos estivadores.

Não compreendo a passividade que o Governo tem mostrado nesta matéria”, afirmou o líder social-democrata, afirmando que o executivo podia ter adotado medidas políticas, inclusive a requisição civil para evitar que o problema “chegasse tão longe”.

Passos lembrou que, ainda em dezembro, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, “fez declarações que apontavam no sentido de que este problema estaria solucionado”.

Passaram-se vários meses, é conhecida a estratégia que tem vindo a ser anunciada pelo próprio sindicato, a penalização para as nossas exportações tem sido muito evidente e não tenho dúvida, no fim ainda restará um cenário tão perverso quanto é o de poder conduzir até ao despedimento dos próprios trabalhadores, o que significa portanto que não é a racionalidade que está aqui a ser salvaguardada”, declarou.

O presidente do PSD falava em Chaves, no distrito de Vila Real, no final das jornadas da Valorização do Território em Trás-os-Montes, referindo ainda que “há medidas de políticas que deviam já ter sido adotadas, em devido tempo”, para evitar que se chegasse “tão longe quanto se chegou” no caso do porto de Lisboa.

Por exemplo, o Governo não podia cruzar os braços e dizer apenas que aguarda que o entendimento seja alcançado, quando se ultrapassam certas barreiras, há mecanismos que o Governo pode adotar intervindo sobre estas situações, o último dos quais a requisição civil”, observou.

Para Passos Coelho, “o que parece é que o Governo, para não desagradar ao sindicato dos estivadores deixou chegar longe demais o conflito que agora tem perdas que são irreparáveis mesmo para os operadores e para a economia nacional”.

O ex-primeiro-ministro não tem dúvidas de que “essas consequências negativas podiam ter sido evitadas se o Governo não tivesse cruzado os braços e não tivesse ficado à espera de simplesmente por milagre o entendimento pudesse ser alcançado quando era muito claro há muito tempo que, do ponto de vista político, não havia espaço para que esse entendimento ocorresse naturalmente”.

Passos Coelho passou o dia de hoje na região de Trás-os-Montes onde se reuniu com representantes académicos, empresários, e agricultores e visitou equipamentos, apelando a políticas específicas para valorizar os recursos dos territórios de baixa densidade populacional.