O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu esta quarta-feira que "todos na Europa" precisam de "fazer mais e melhor para resolver o problema das migrações" e rejeitou que se ponha em causa a liberdade de movimentos no espaço europeu.

Passos Coelho assumiu esta posição durante uma iniciativa da coligação PSD/CDS-PP, num hotel de Lisboa, sem falar em números relativos ao acolhimento de refugiados.

O chefe do Governo considerou que "esse problema tem de ser olhado e atacado nos países de origem das migrações, nos países que servem também de passagem desses migrantes", procurando que "muitas das razões que levam dessas pessoas a fugir à fome, à guerra, a condições extremas se possam alterar no futuro".

"Mas, até lá, temos a responsabilidade ética e moral de sermos solidários com aqueles que nos procuram, articulando melhor as nossas respostas, sem pôr em causa a nossa liberdade de movimentos, organizando-nos melhor no espaço europeu, para os acolher e também organizando-nos melhor em Portugal para poder acolher uma parte desses migrantes que aqui queiram viver connosco, lutar connosco, crescer connosco e ajudar-nos a fazer um país diferente e mais ambicioso connosco também", acrescentou o primeiro-ministro e presidente do PSD.


Antes, referindo-se a Portugal, Passos Coelho afirmou: "Nós soubemos ser solidários na nossa crise quando enfrentámos os nossos problemas e aqueles que estavam mais vulneráveis, temos alguma ideia seguramente das dificuldades e até do desespero por que passam muitos daqueles que olham para a Europa e veem nela também um horizonte de progresso e de realização para si próprios. E não somos indiferentes às notícias que infelizmente nos assaltam com regularidade e que mostram até onde as pessoas estão disponíveis para arriscar para terem essa oportunidade de chegar à Europa".

O chefe do executivo PSD/CDS-PP introduziu este tema no seu discurso dizendo que Portugal não é um país isolado e tem de olhar para o mundo, e a este propósito falou dos emigrantes portugueses.

"Temos portugueses espalhados por todo o mundo há muitos séculos, mas em grande número seguramente há mais de 60 anos. Temos, portanto, várias gerações de portugueses que são embaixadores importantes de Portugal e que podem também hoje olhar para o nosso país de outra maneira, e ajudar-nos a olhara para o mundo de outra maneira também", disse.


Depois, o primeiro-ministro sustentou que a Europa, como Portugal, "tem problemas demográficos" e "precisa de crescer mais e de se abrir mais".

"Tive oportunidade de dizer que a Europa precisava de olhar também para o fenómeno das migrações com outros olhos. Todos nós na Europa precisamos de fazer mais e melhor para resolver o problema das migrações", prosseguiu.


Segundo o primeiro-ministro, "a Europa sozinha não tem a possibilidade de sozinha resolver os problemas das migrações dentro do espaço europeu, esse problema tem de ser olhado e atacado nos países de origem das migrações, nos países que servem também de passagem desses migrantes".

"Temos de encontrar formas com os parceiros que temos nesses países de melhorar a governação, de melhorar as condições de investimento que permitirão que muitas das razões que levam essas pessoas a fugir à fome, à guerra, a condições extremas se possam alterar no futuro", acrescentou.