O presidente da Federação Distrital de Aveiro do PS, Pedro Nuno Santos, instou esta terça-feira o primeiro-ministro a dizer de forma «clara» e «taxativa» que não privatizará a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

«O primeiro-ministro tem de dizer de forma clara, taxativa, que não privatizará a CGD. O povo português não deixará passar esta privatização. E é importante ainda, que até dia 25 [dia das eleições europeias], o primeiro-ministro deixe de forma clara e taxativa que não está no horizonte do atual Governo privatizar a CGD», declarou Pedro Nuno Santos num almoço comício em Aveiro.

O dirigente e deputado socialista comentava a notícia avançada pelo Correio da Manhã, onde os trabalhadores da CGD acusavam o executivo de já ter deliberado sobre a privatização do banco, notícia essa que, entretanto, reconheceu Pedro Nuno Santos, foi desmentida pelo ministério de Finanças, o que, advoga o parlamentar do PS, «não chega».

«A CGD é talvez uma das mais importantes empresas sob controlo público. Sabemos bem hoje a responsabilidade do sistema financeiro na crise dura que vivemos no mundo, na Europa, e em particular em Portugal. A pior coisa que poderíamos fazer nesta altura era privatizarmos a CGD», sustentou o socialista, reiterando o pedido a Pedro Passos Coelho para se pronunciar sobre a matéria.

A dívida pública, advoga Pedro Nuno Santos, «é a desculpa para que PSD e CDS possam impor ao país a retirada do Estado das principais funções sociais, mas também de empresas importantíssimas» para a nossa economia e democracia de Portugal, como, diz é o caso da CGD.

No almoço comício em Aveiro marcaram presença o cabeça de lista às europeias, Francisco Assis, vários deputados à Assembleia da República e também Elisa Ferreira, número quatro na lista do PS ao Parlamento Europeu.

Elisa Ferreira sublinhou a diferença «enorme» no hemiciclo europeu entre a esquerda e a direita, dando um exemplo aos presentes: «o combate que nós, socialistas europeus, fizemos contra a troika, foi permanente. Nós lutámos para que a troika fosse questionada na sua base legal. A troika é ilegal», disse.

Para a atual eurodeputada e novamente candidata ao Parlamento Europeu, «há uma alternativa na Europa» contra a «dominação ideológica» que percorre o continente.

«Estar ausente da discussão, não votar, é encolher os ombros. É dizer «deixa andar». Mas votar nos partidos de extrema esquerda ou de extrema direita é dizer «desistimos da Europa, vamos desconstruir a Europa, voltar às nações, e ver-se-á como as coisas acontecem», alertou, apelando ao voto no PS.