O Governo considerou este sábado que a acusação do líder do PSD de eleitoralismo em relação ao Orçamento do Estado para 2018 é um elogio porque significa que as medidas que estão a ser trabalhadas são "boas para o país".

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, esteve à tarde no Seixal, na Festa do Avante!, a ‘rentrée’ do PCP, onde foi questionado pelos jornalistas sobre as acusações de Pedro Passos Coelho de o Governo socialista estar a fazer a discussão orçamental de uma forma que “não é séria" e com fins eleitoralistas.

Obviamente que eu considero que é um elogio a acusação de eleitoralismo porque isso quer dizer que as medidas que estão a ser trabalhadas são boas para o país. E são, de facto", respondeu Pedro Nuno Santos.

O socialista aproveitou para apelar ao líder do PSD para "começar a falar sobre o país" e respondeu a Passos Coelho que seria "pior para ele" se o Orçamento fosse entregue antes das eleições autárquicas.

Se o Orçamento pudesse ser apresentado antes, seria muito pior para o PSD", avisou.

Sobre as críticas de Passos Coelho de que o Governo estaria a deixar escapar as coisas boas agora, para as más só serem conhecidas depois das autárquicas de 1 de outubro, Pedro Nuno Santos foi perentório: "Este Orçamento não vai ter coisas más, é mais um Orçamento de avanço, porque infelizmente há muito ainda que recuperar face o que foi feito ao povo português durante os quatro anos deles".

Na sexta-feira à noite, em Vila Real, o líder social-democrata apontou duas possibilidades a António Costa.

O Governo devia fazer uma de duas opções: ou apresenta o Orçamento antes das eleições autárquicas para os portugueses saberem todos com que é que vão contar quando vão fazer as suas escolhas, ou entende manter o calendário normal, e está no seu direito, ou então devia ser um bocadinho mais contido na forma como utiliza a discussão orçamental para favorecer as candidaturas autárquicas dos partidos que suportam o Governo", apontou o líder do PSD.

Autoeuropa: negociações "vão correr bem"

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares mostrou-se também convicto de que as negociações na Autoeuropa "vão correr bem" e será possível um acordo, pedindo serenidade e respeito pelas duas partes que estão a defender a sua posição.

Com alguma serenidade, respeitemos e vamos deixar que as negociações se desenrolem, porque nós temos a convicção plena de que elas vão correr bem e nós vamos ter um acordo e continuaremos com uma grande empresa em Portugal a produzir e a vender", enfatizou, no Seixal (distrito de Setúbal).

O governante mostrou-se seguro de que "esse entendimento vai acontecer", mas defendeu que todos têm que, "com alguma calma e serenidade, perceber que os trabalhadores estão a defender os seus direitos, estão a defender a sua posição, da mesma forma que a empresa faz o mesmo".

E algumas das apreciações que são feitas são perigosas e são desrespeitosas para quem trabalha porque num processo negocial as duas partes estão a defender a sua posição", alertou.