O deputado socialista Pedro Nuno Santos anunciou esta sexta-feira que o seu partido vai requerer o depoimento do primeiro-ministro sobre as reuniões com o antigo líder do Banco Espírito Santo (BES) na comissão parlamentar de inquérito.

Em causa estão os encontros de Ricardo Salgado com diversos responsáveis governamentais, bem como com o Presidente da República, Cavaco Silva, a quem o PS pediu hoje «colaboração» com o inquérito parlamentar em curso.

«Se os depoimentos escritos do Presidente da República e do vice-primeiro-ministro são importantíssimos para o apuramento da verdade, a colaboração do primeiro-ministro não é menos importante. Tendo em conta que sabemos pela mesma carta de Ricardo Salgado que teve uma reunião com o primeiro-ministro no dia 14 de março, o PS requererá também um depoimento escrito do primeiro-ministro», afirmou o parlamentar socialista, nos Passos Perdidos do parlamento.


O deputado do PS considerou que se todas as personalidades que a comissão de inquérito quer ouvir invocassem a reserva das suas conversas, os parlamentares não conseguiriam «fazer o seu trabalho nem avançar no apuramento da verdade».

«Tendo em conta que esta matéria é de relevantíssimo interesse nacional, apelamos ao Presidente da República para que colabore, respondendo a todas as questões que os deputados têm a fazer. Os portugueses, todos os portugueses, têm o direito a saber tudo o que aconteceu e o Presidente pode dar aqui um contributo muito importante», disse.


Sobre o antigo presidente executivo do BES, Pedro Nuno Santos sublinhou que "o PS não aceitará nem permitirá que Ricardo Salgado use informações como as que acabou de libertar e outras que possa vir a decidir libertar para desviar a atenção das responsabilidades que tem neste processo".

«Tendo sabido que não iria haver correspondência aos seus apelos, nomeadamente ao financiamento do Grupo Espírito Santo, por que, mesmo assim, permitiu que se processasse o aumento de capital?», questionou, acrescentando tratar-se de «um momento em que sabia que, muito provavelmente, a solução não teria sucesso e que poderia acontecer o que, infelizmente, veio a acontecer - que os investidores viriam a perder tudo o que investiram, em junho».

Cavaco Silva reiterou esta sexta-feira que todas as audiências que concede são reservadas e considerou não ter esclarecimentos adicionais a dar sobre o BES.

Diversos grupos parlamentares já tinham pedido depoimentos a várias figuras sobre as reuniões com Salgado, designadamente ao Presidente da República e ao vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.