O CDS-PP desafiou esta quarta-feira o Governo a esclarecer as medidas que está a negociar com Bruxelas, questionando se está em causa um "plano B de Bruxelas" ou um “plano B de Bloco de Esquerda", com aumento de impostos.

Quais são afinal as medidas que o Governo está a negociar? O Programa de Estabilidade e o plano B é B de Bruxelas, com um corte de 1.000 milhões para já este ano e mais 1.400 para 2017? Ou é B de Bloco de Esquerda, com um aumento de impostos já este ano, a começar por colocar o IVA a 25%", interrogou o deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares, numa declaração política no plenário da Assembleia da República.

Sublinhando que os portugueses já perceberam que vai haver um ‘plano B', Mota Soares disse ser altura de o Governo esclarecer de forma "clara e transparente" o que é que "aí vem", terminando com a sucessão de notícias com fontes da comissão europeia ou "até fonte do PCP" a dizer o que é que o ‘plano B' vai ser.

Pedro Mota Soares avisou ainda que o seu partido não deixará que o Governo use o debate do Programa Nacional de Reformas para criar "uma cortina de fumo" sobre o Programa de Estabilidade e reiterou a intenção dos democratas-cristãos de apresentarem e levarem a votos as propostas "focadas e concretas" que irão apresentar para todas as áreas do Programa de Reformas.

Esta declaração acabaria por motivar uma troca de argumentos entre Pedro Mota Soares e socialista João Galamba, com o deputado do PS a assegurar que o CDS-PP "terá todo o tempo do mundo" para discutir os Programas de Estabilidade e de Reformas quando eles chegaram ao parlamento.

Pelo PCP, o deputado António Filipe assinalou a insistência dos democratas-cristãos num ‘plano B', questionando se o CDS-PP critica a eventualidade da sua existência ou reivindica um plano alternativo.

Apesar de diretamente citado na intervenção do CDS-PP, o Bloco de Esquerda não colocou qualquer questão a Pedro Mota Soares.

Também numa declaração política, o deputado do PCP Paulo Sá falou das "manobras de pressão, chantagem e ingerência" das instituições da União Europeia, instando à rejeição de um caminho que querem impor a Portugal à força.

"É preciso não ceder a pressões e chantagens", defendeu, considerando ser necessária firmeza no prosseguimento do caminho de devolução dos direitos e rendimentos.

PS e BE tiveram depois uma interpretação diferente, com o deputado socialista Paulo Trigo Pereira a defender que as recomendações do relatório final da terceira missão pós-programa de ajustamento, divulgado na segunda-feira, não devem ser lidas com subserviência, mas sim numa perspetiva de "igual para igual" com a comissão.

Mariana Mortágua do BE foi bastante mais crítica, acusando a comissão europeia de se "meter onde não deve e não pode", aplicar regras arbitrárias, "esmagar quem não obedece" e "plantar notícias em jornais para condicionar".

Além disso, acrescentou, a comissão europeia tem uma agenda e poder próprios, poder que não é escrutinável porque não vai a votos.