O PS diz que haverá mais cortes em salários e pensões e que se perspetiva para Portugal um período de estagnação caso não seja afastada a política de «consenso» entre a troika e o Governo.

Esta posição foi transmitida pelo vice-presidente da bancada do PS Pedro Marques, esta terça-feira, no final de uma reunião da comissão eventual de acompanhamento do programa de assistência financeira com os representantes da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia).

No final de cerca de hora e meia de reunião, no âmbito da 12.ª avaliação do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), Pedro Marques defendeu que «ficou claro que haverá mais cortes de salários e de pensões, pelo menos aqueles que transformam aquilo que deveria ser extraordinário em permanente».

«Apesar de questionados pelo PS, os membros da troika não quiseram responder diretamente sobre a natureza das propostas do Governo para 2015 - medidas de caráter geral para empurrar para depois das eleições as más notícias. Mas, pelo menos, cortes permanentes de salários e pensões, isso fica claro que vai acontecer», acentuou o deputado socialista.

De acordo com Pedro Marques, ao longo da reunião, registou-se também uma divergência de fundo entre a perspetiva do PS e a dos membros da troika sobre o caminho da economia portuguesa nos próximos anos.

«O que afasta muito o PS da avaliação deste Governo e da troika é que os cortes afinal não levaram a uma transformação estrutural da economia portuguesa. O Banco de Portugal, por exemplo, diz claramente que o crescimento económico até 2016, a existir, será todo com base na procura interna», apontou o vice-presidente do Grupo Parlamentar socialista.

Para o dirigente socialista, «perspetiva-se a ideia de continuar com mais doses de austeridade, não se percebendo que isso vai outra vez levar outra vez a piores resultados económicos».

«O que se perspetiva é um período de estagnação económica se este tipo de política fosse seguida, mas o PS quer acreditar que as escolhas dos portugueses são para mudar de política e, em particular, para não continuar com esta estratégia de cortes de salários e de pensões que faz o consenso entre o Governo e a troika», acrescentou.