O líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE) disse, esta quarta-feira, que a «única coisa» que o Governo trouxe ao debate do estado da Nação no parlamento foi «propaganda» e «passou ao lado» do essencial, como a situação no BES.

«As pessoas não comem propaganda. Os salários não são pagos em propaganda», advertiu o bloquista, dirigindo-se ao primeiro-ministro e restante Governo no debate parlamentar desta tarde.

Pedro Filipe Soares interrogou também o executivo sobre o que, diz, pode ser uma «bomba relógio» no sistema financeiro, a indefinição no Banco Espírito Santo (BES).

«Em nenhum momento o Governo falou sobre aquilo que aflige as pessoas: há ou não há um novo BPN a configurar-se no nosso sistema financeiro, agora maior, com um buraco possivelmente três vezes maior, e que dá pelo nome de BES? Há ou não há essa bomba relógio?», perguntou, lamentando que o Governo tenha «dito zero» sobre o tema no debate do estado da Nação.

Tal silêncio, prosseguiu Pedro Filipe Soares, é «mais um exemplo do estado de negação deste Governo» e como o executivo «passou ao lado do essencial ao país» no debate parlamentar.

Posteriormente, Heloísa Apolónia, deputada do partido ecologista «Os Verdes», acusou o Governo de «desvirtuar a realidade» sobre dados económicos, nomeadamente o fosso entre os mais ricos e os índices de pobreza do país.

«Esta negação da realidade acontece permanentemente», insistiu a parlamentar na sua intervenção final no debate no parlamento.