O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, afirmou esta sexta-feira que o programa de compra de dívida do Banco Central Europeu (BCE) não garante mais crédito à economia, nem diminui «o peso das dívidas soberanas».

Em declarações à agência Lusa no Porto, durante as jornadas parlamentares, o deputado bloquista observou que o programa de compra de dívida pública e privada do BCE, que se prolongará até 2016 e é superior a um trilião de euros, «vem tarde» e injeta liquidez «apenas na banca comercial».

«O BCE tenta injetar liquidez na banca comercial com a perspetiva de que se der dinheiro à banca então esse dinheiro chegará à economia, mas não há nenhuma evidência nesse sentido», afirmou.

Para o presidente da bancada bloquista, esta decisão da instituição liderada por Mario Draghi é o reconhecimento de «que a austeridade não produziu efeitos» e, pelo contrário, «colocou as economias europeias em crise», com «um problema de estagnação e o início da deflação».

«Há uma crise de confiança que não se resolve com esta solução do BCE, não por falta de dinheiro, porque no geral há liquidez», notou.

Pedro Filipe Soares sublinhou que o custo da dívida portuguesa, à volta de 130% do PIB, «é sempre brutal» e que «os juros podem descer, mas a chantagem política que tem sido levada por diante com o Tratado Orçamental não desaparece».

«O BCE coloca como grande preocupação o problema das dívidas da banca comercial mas não quer resolver o problema das dívidas soberanas, esse é o aspeto negativo de todo este processo», disse.

O bloquista disse esperar que o Syriza, partido da esquerda radical da Grécia, vença as eleições de domingo e considerou que a proposta de uma conferência europeia para renegociação das dívidas soberanas, partilhada pelo BE, «é essencial».

«É necessária uma resposta monetária [como a do BCE], essa resposta é essencial no tratamento da dívida, mas não é suficiente se não levar em conta o abatimento da dívida e a redução do seu peso nas contas públicas», concluiu.

O presidente do BCE anunciou na quinta-feira um programa de compra de dívida pública e privada em larga escala, de 60 mil milhões de euros mensais, em vigor de março deste ano até setembro de 2016.