O Bloco de Esquerda (BE) apresentou esta segunda-feira um requerimento para ouvir com «caráter de urgência» a ministra das Finanças no parlamento sobre as nomeações recentes para o Banco Espírito Santo (BES).

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O partido, diz o requerimento a que a agência Lusa teve acesso, questiona a «alteração da administração» do BES com a entrada de Vítor Bento (presidente executivo), João Moreira Rato (administrador financeiro) e Paulo Mota Pinto (presidente do conselho de administração).

«Sobre estas alterações, o primeiro-ministro valorizou os nomes indicados», diz o Bloco, que estranha a «omissão da ligação de Moreira Rato à Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP, entidade responsável pela gestão da dívida pública e da qual é presidente».

«É incompreensível a serenidade e aceitação de Pedro Passos Coelho sobre a passagem de Moreira Rato de presidente do IGCP para o BES. Onde fica a defesa do interesse público?», interrogam os bloquistas, lembrando que o ainda presidente do IGCP «tem acesso a muita informação sensível sobre as contas públicas e a gestão da dívida pública».

Na missiva enviada pelo líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, ao presidente da comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, Eduardo Cabrita, o partido lembra que o BES «era considerado o banco do sistema» e é agora «o centro de uma teia de interesses e negócios que envolvem todo o Grupo Espírito Santo (GES)».

«As notícias vindas a público dão conta de diversas entidades do GES em falência técnica e da possibilidade de contágio ao BES. Aliás, a política de crédito do BES foi seguindo critérios pouco claros e aparentemente mais de favor entre interesses familiares do GES do que de racionalidade económica», reforça o BE.

Ao «abrigo das disposições regimentais e constitucionais», o Bloco requer agora, e «com caráter de urgência», a audição do ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, para falar sobre esta matéria.

O Espírito Santo Financial Group (ESFG) anunciou no sábado que vai propor Vítor Bento para presidente executivo do BES e João Moreira Rato para administrador financeiro, num comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O ESFG aponta ainda o deputado social-democrata e ex-juiz do Tribunal Constitucional, Paulo Mota Pinto, para o cargo de presidente do Conselho de Administração.