Pedro Delille, um dos advogados de defesa de José Sócrates, afirmou, este sábado, na TVI24 que a Justiça “chegou a um beco sem saída” e que o arquivamento do processo “deve estar para breve”. Pedro Delille teceu duras críticas à Justiça portuguesa, sublinhando que o ex-primeiro-ministro “foi exibido como troféu” por “super-investigadores, super-magistrados e tablóides” e foi mais longe, afirmando que o caso beneficiou os partidos do Governo. O advogado aproveitou ainda para deixar um aviso: "Não o vão conseguir calar".

“Pelo que vou conhecendo do processo, a Justiça chegou a um beco sem saída.”


O advogado explicou que inicialmente as suspeitas que recaíam sobre José Sócrates prendiam-se com os negócios ligados ao Grupo Lena, mas que agora a questão já tem a ver com o PROTAL (Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve). E em relação ao PROTAL diz que a investigação "está condenada ao fracasso", pois “não houve nenhum instrumento que tivesse incidência sobre Vale do Lobo que pudesse beneficiar ou prejudicar” José Sócrates. 

“Todos nos lembramos que inicialmente era a questão do Grupo Lena. Esgotada a acusação no Grupo Lena inventaram a questão do PROTAL.”


Por isso, entende que o despacho de arquivamento deve estar para breve.  "Penso que o que deve estar para breve é o despacho de arquivamento."

Pedro Delille deixou duras críticas à Justiça portuguesa, afirmando que a investigação incluiu uma devassa absoluta da vida privada de José Sócrates sem haver suspeitas fortes.

“Uma pessoa não pode ser investigada durante tanto tempo, numa investigação que permite uma devassa absoluta da vida privada. A investigação tem limites: desde logo haver suspeitas fortes."


Para o advogado, Sócrates foi exibido como troféu por “super-investigadores, super-magistrados e tablóides” e a sua detenção teve razões de natureza política pois beneficiou os partidos do atual Governo.

“Houve um grupo de pessoas que foi beneficiado. Estou-me referir ao jogo político. [...] Sendo um partido prejudicado outros são beneficiados."


O advogado recusou falar em vitória para se referir à alteração da medida de coação, destacando que vitória será o "reconhecimento de que todo o processo foi um erro". Adiantou que o estado de espírito de José Sócrates é de "indignação", mas que o ex-primeiro-ministro vai continuar a lutar. "Não o vão conseguir calar", afirmou.

"A investigação está a querer lavar a cara a si própria, amenizando o clima mas não é vitória para José Sócrates. Vitória é reconhecer que isto foi tudo um erro."