O Partido da Nova Democracia (PDN) da Madeira recusou, esta quinta-feira, ser recebido pelo representante da República, Ireneu Barreto, por considerar que foi, ao longo dos anos, «advogado político do doutor Jardim e do PSD».

No âmbito das audiências do representante da República aos partidos com assento na Assembleia Legislativa da Madeira, na sequência da resignação de Alberto João Jardim do cargo de presidente do Governo Regional, o PND era o primeiro partido a ser recebido hoje no Palácio de São Lourenço.

«O PND só se reúne com representantes da República que lhe merecem confiança e respeito e este não é o caso do ministro da República Ireneu Barreto», afirmou Márcio Amaro, lendo um comunicado do partido aos jornalistas.

«O representante da República, no mesmo dia em que o doutor Jardim apresentou a sua demissão de presidente do Governo Regional, num ato raro e suspeito, convocou todos os partidos, mesmo os pequenos partidos da oposição que ele nunca ouviu nem quis ouvir, para lhes anunciar que vai marcar eleições no mais curto prazo de tempo possível», referiu, citado pela Lusa.

O PND considera ser esse «um desejo do doutor Jardim, do doutor Miguel Albuquerque (…) para aproveitarem a onda propagandística da falsa renovação do PSD, promovida pela RTP Madeira, perante a complacência do representante da República».

«Por isso, comunicamos que não entraremos no Palácio Florentino deste representante da República, nem com ele nos reuniremos». Aconselhou, depois, o representante a marcar eleições «se possível para depois de amanhã» por ser a «única coisa consequente que o dito advogado do doutor Jardim poderá e deverá fazer se quiser ser honesto e coerente com o seu passado».

Ao abrigo da audição dos partidos políticos com representação na Assembleia Legislativa da Madeira, o representante da República recebeu na quarta-feira o PSD, CDS, PS, PTP e PCP e hoje receberá ainda o PAN e o MPT. Com exceção do PCP, que defende a realização de eleições para abril, os partidos até agora recebidos preferem a data de 29 de março.

No âmbito do processo interno no PSD - eleições internas e aclamação do novo líder - o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, apresentou, na segunda-feira, ao representante da República, o pedido de exoneração do cargo que ocupava desde 18 de março de 1978.

O PSD é agora liderado pelo ex-presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Albuquerque.