O cabeça de lista do PCTP/MRPP por Lisboa às legislativas, Garcia Pereira, disse este sábado que os apelos por uma maioria absoluta, quer da coligação PSD/CDS-PP, quer do PS, mostram uma "incapacidade democrática".

"Uma maioria absoluta é difícil que aconteça e os partidos que fazem apelos a isso mostram a sua incapacidade democrática. As pessoas já sabem que devem rejeitar esta lógica maioritária e ditatorial", afirmou Garcia Pereira.

O candidato, que falava à Lusa após uma ação de campanha na Boca do Inferno, em Cascais, disse ainda que "há um desencanto" das pessoas pelos partidos, fruto de "quem os tem enganado, com uma política de alterne dos últimos 40 anos".

"Há mais miséria, mais pobres e os partidos que pensam que vão ganhar as eleições silenciam a apresentação de alternativas", sustentou.

Garcia Pereira acusou a coligação PSD/CDS-PP e o PS de não discutirem os verdadeiros problemas do país.

"Estas eleições só terão participação popular significativa se se estivessem a discutir os verdadeiros problemas, como o pagamento da dívida, por exemplo, que é impagável", acrescentou.

O candidato do PCTP/MRPP mostrou-se ainda otimista com uma representação parlamentar.

"Temos recebido um apoio muito marcado e, por isso, reforçamos a nossa expetativa de uma representação parlamentar", disse.

Depois de uma ação no Mercado de Cascais, Garcia Pereira foi até à Boca do Inferno ouvir as reclamações dos comerciantes.

Lurdes, de 70 anos e comerciante ali há cerca de 40, aproveitou a ação para denunciar o seu descontentamento.

"Eu sou a mais prejudicada. Quando chove não posso abrir a minha banca, porque senão fico com tudo estragado e já tive aqui muitos prejuízos", contou.

Também Rosa Oliveira e Dalila queixaram-se da falta de apoio da Câmara de Cascais.

"Não temos água, não temos luz, temos de pagar para ir à casa de banho e se nos atrasamos na renda somos despejados. Vejam lá se fazem alguma coisa por nós", apelaram.

Garcia Pereira prometeu atender aos pedidos das comerciantes.

"Estas pessoas são um retrato do país, completamente ao abandono, sem condições nenhumas. Viemos aqui porque o nosso trabalho é denunciar os problemas e dar voz a estas pessoas", concluiu.