O PCP e Os Verdes condenaram esta quinta-feira o ataque terrorista da véspera ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, instando as instituições europeias a darem maior atenção à indignação social para prevenir o fortalecimento de movimentos extremistas.

Em comunicados autónomos, os comunistas condenam «firmemente o atentado ocorrido em Paris» e expressam «a sua consternação e solidariedade ao povo francês» e os ecologistas manifestam a sua «total solidariedade para com a família das vítimas» e «todos os jornalistas e artistas».

Segundo o PCP, existem «perigos de instrumentalização de genuínos sentimentos de indignação para intensificar medidas de cariz securitário que agridem direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e para promover sentimentos racistas e xenófobos que têm alimentado o crescimento da extrema-direita e do fascismo na Europa».

Os Verdes defendem que «não se podem confundir os terroristas que perpetraram este ataque hediondo com o povo árabe e muçulmano» e esperam que o atentado «não seja aproveitado para extremar discursos radicais e prosseguir com a imposição de limites à liberdade de expressão e individual, que alguns pretendem impor».

«Crimes desta natureza não podem ser desligados de uma situação internacional marcada por ingerências e agressões contra Estados soberanos, através da instigação de conflitos religiosos e étnicos e da promoção de forças de extrema-direita, xenófobas e fascistas. Uma realidade que é acompanhada por políticas que aumentam a exploração e a exclusão social, nomeadamente nos países da União Europeia», acrescentam os comunistas, exigindo «o fim do apoio político, financeiro e militar dado pelos EUA e países da União Europeia a grupos que espalham o terror e a destruição, nomeadamente no Médio Oriente».

Os ecologistas portugueses convidam a Europa a «questionar-se sobre os caminhos que tem escolhido e interiorizar claramente que a melhor arma contra o terrorismo é a promoção de políticas de paz, de cooperação, de tolerância e de ajuda ao desenvolvimento dos povos, assim como o respeito pelas soberanias nacionais».

«É fundamental que na própria Europa se combata a pobreza e o desemprego, nomeadamente o desemprego juvenil e se criem condições para eliminar os guetos urbanos nos quais os movimentos extremistas encontram terreno fértil para as suas ideias e os seus atos nocivos», lê-se no texto do PEV.

O ataque de quarta-feira à sede do Charlie Hebdo foi cometido por três homens vestidos de preto, encapuzados e armados, que gritaram «Allah Akbar» (Alá é Grande) e «afirmaram pretender vingar o profeta» Maomé.

A polícia procura dois dos agressores - os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi, de 32 e 34 anos, respetivamente - que continuam em fuga.

Entre 12 vítimas mortais do ataque, o mais grave ocorrido na capital presença desde a década de 1990, figuram os cartoonistas Stéphane Charb Charbonnier, 47 anos e diretor da publicação, Jean Cabu Cabut, 76 anos, Georges Wolinksi, 80 anos, e Verlhac Tignous Bernard, 58 anos.