O PCP acusou esta sexta-feira a Câmara de Lisboa de estar a pedir às juntas de freguesia que cedam alguns dos trabalhadores transferidos no âmbito da reforma administrativa para suprimir falhas na recolha de lixo na cidade.

As 24 freguesias de Lisboa são responsáveis há dez dias pela limpeza e varredura de ruas, de vários espaços verdes, de equipamentos, escolas, mercados e alguns passeios, no âmbito da reforma administrativa da cidade, que também transferiu 1.000 trabalhadores do município para as juntas.

Segundo João Ferreira, vereador do PCP, que hoje fez um balanço dos primeiros 150 dias do terceiro mandato do socialista António Costa à frente da Câmara de Lisboa, a autarquia está a pedir às juntas de freguesia que os trabalhadores transferidos regressem ao município para «apoio na recolha de lixo», o que demonstra as «trapalhadas do processo» e os «prejuízos sérios» para a cidade.

«Há percursos de recolha que estão a ser feitos só com um cantoneiro. Por isso, a Câmara está a pedir que sejam cedidos os cantoneiros das freguesias para trabalhar na recolha de resíduos sólidos a nível municipal», afirmou Carlos Moura, segundo eleito pela CDU, indicando que esta denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML).

O presidente da junta de Carnide, Fábio Sousa, disse que na quarta-feira recebeu «um pedido às 19:00 para os trabalhadores pegarem ao serviço ontem [quinta-feira] de manhã na Câmara». «A recolha de lixo na cidade não está assegurada», garantiu.

O autarca comunista criticou ainda a falta de adequação da reforma administrativa, descrevendo que o número de trabalhadores na freguesia no posto de limpeza do Bairro Padre Cruz aumentou de nove para 30 («a maioria contra sua vontade»), mas que as máquinas de apoio cedidas pelo município, «cinco em seis, estavam avariadas».

«Basta fazer as contas. Vai haver aumento de despesa», alertou Fábio Sousa.

Ainda sobre as freguesias, João Ferreira indicou que os presidentes de junta do PS «já abriram a porta à externalização dos serviços [que estão a ser assegurados agora pelas freguesias] a privados».

No balanço dos 150 dias de mandato, os autarcas comunistas criticaram, também, uma «falta de oposição firme» da Câmara de Lisboa à concessão a privados dos transportes públicos na capital (Carris e Metro). João Ferreira, que é também eurodeputado, indicou que questionou a Comissão Europeia quanto à possibilidade de ter «pressionado o Governo», no âmbito do memorando de entendimento, a avançar para esta medida.

O PCP criticou, por outro lado, o acordo entre a autarquia e a Bragaparques para que os terrenos do Parque Mayer e a Feira Popular fiquem do município, por «abrir a possibilidade de um encargo superior a 150 milhões de euros» para o erário público relativamente a um «negócio que todos os tribunais consideraram ilegal».

A degradação do Pavilhão Carlos Lopes e das piscinas do Areeiro, Campo Grande e Olivais, a nova lei do arrendamento, o encerramento das esquadras na cidade, a necessidade de reabilitação urbana na cidade e o plano para a Colina de Santana - bem como a «falta de ação» da câmara nestas matérias também foi criticada por João Ferreira.