O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou este sábado o primeiro-ministro, José Sócrates, de terminar o mandato «sem cumprir nenhum dos grandes objectivos económicos e sociais que anunciou ao país» e garantiu «a luta» partido em ano de eleições, escreve a Lusa.

«Quatro anos de Governo do PS fizeram recuar para um patamar ainda mais baixo a resposta aos três problemas centrais do país e que uma verdadeira política de defesa do interesse nacional e dos portugueses deveria assumir: o défice de produção, o desemprego e a injusta distribuição do rendimento nacional», afirmou Jerónimo de Sousa num discurso proferido no final do Encontro Nacional sobre Eleições em 2009, em Almada.

Jerónimo de Sousa acusou o actual Executivo de querer «convencer os portugueses que a situação a que chegou o país não é da sua responsabilidade, nem do actual Governo, nem dos seus Governos anteriores».

Ontem deu mais um show

«Anda há praticamente quatro anos e ainda ontem deu mais um show, a promover um suposto sucesso da economia portuguesa e a apregoar a modernidade da sociedade portuguesa, mas o que já é seguro é que terminará o seu mandato sem cumprir nenhum dos grandes objectivos económicos e sociais que anunciou ao país e até a tão cantada vitória da diminuição do défice das contas públicas se esfumou num ápice, qual manteiga em nariz de cão», denunciou o dirigente comunista.

Criticou ainda, na sua intervenção, «os périplos pelo país a picar o roteiro do plano de inaugurações solicitadas por Mário Lino».

«Com crise ou sem crise, com défice ou sem défice, interessa é salvar o sistema, manter a exploração dos trabalhadores e do povo português. Com esta denominada esquerda, bem pode a direita dormir descansada», exclamou Jerónimo de Sousa.

Origem da grave situação

Argumentando que «aqueles que têm governado o país, perante a gravidade da crise tudo fazem para esconder e mistificar as verdadeiras causas que estão na origem da grave situação que o país enfrenta», o líder do Partido Comunista estendeu também as suas críticas ao PSD e aos CDS-PP.

«PSD e CDS querem convencer os portugueses que os problemas começaram há três anos atrás e que os portugueses viviam no melhor dos mundos com Barroso e com Santana e a assistência de Paulo Portas», disse.

Em ano de eleições autárquicas, legislativas e europeias, Jerónimo de Sousa foi aplaudido pelos cerca de 1.110 militantes presentes neste encontro ao garantir «a luta e a grande confianças nas batalhas eleitorais que se avizinham».

«As eleições sendo, sem dúvida, uma das mais importantes batalhas políticas que temos que travar neste ano de 2009, o ano que temos pela frente vai ser um tempo de redobrado trabalho e de outros duros e importantes combates que exigem não um forte envolvimento e grande mobilização de todo o nosso colectivo partidário (..) mas na luta de massas», disse ainda Jerónimo de Sousa, apelando à «unidade e convergência democrática» dos apoiantes do PCP.