O secretário-geral do PCP disse, este sábado, que se as instituições funcionassem como é suposto «há muito» que o Governo tinha sido demitido. Jerónimo de Sousa defendeu que não resta «outra saída» a Cavaco Silva senão a dissolução da Assembleia da República.

«Se as instituições funcionassem como é pressuposto funcionarem […] há muito que este Governo […], que perdeu a legitimidade, governando à revelia da constituição e sem o mínimo de credibilidade, com os sucessivos escândalos de corrupção, já teria sido demitido», afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder do PCP, que na quinta-feira completou dez anos à frente do partido, falava em Faro, durante o encerramento da 8.ª Assembleia da Organização Regional do Algarve do PCP, que hoje decorreu no auditório da Escola Superior de Saúde.

Defendendo que a «panóplia de fenómenos negativos» que alastram na sociedade aconteceram «ao arrepio do regular funcionamento das instituições e da Constituição», Jerónimo de Sousa considerou que é urgente a interrupção «da ação destruidora» deste Governo PSD/CDS.

O líder comunista considerou que o envolvimento «dos mais altos cargos» da estrutura do Estado em processos que envolvem suspeitas de corrupção tem «óbvias implicações políticas», pelo que não restaria ao Presidente da República, «por maior que seja o seu comprometimento com este Governo», outra saída que não a «dissolução da Assembleia da República, devolvendo a palavra ao povo».

Durante o discurso, Jerónimo de Sousa aproveitou ainda para criticar o PS, afirmando que, «a coberto da clássica mudança de líder», os socialistas tentam «branquear o passado e gerar expectativas de mudança» que depois não se confirmam, o que faz dela uma «falsa solução».

«Não basta proclamar posicionamentos de esquerda quando o que se propõe é manter as mesmas linhas essenciais da mesma política que conduziu o país à crise e à situação de degradação atual», concluiu, dizendo que tem sido «pelo seu próprio pé»que o PS se tem entendido com a direita.