A deputada do PCP Paula Santos diz estar «muito preocupada» com a portaria que reclassifica os hospitais, porque «esta se insere numa lógica e numa estratégia de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde» (SNS).

«Há um conjunto de critérios muito abrangentes e aspetos que efetivamente exigem uma maior clarificação. Esta portaria (82/2014, de 10 de abril) parece que se insere numa lógica e numa estratégia de desmantelamento do SNS por via da redução e da concentração de serviços e redução profissionais», disse esta segunda-feira à agência Lusa Paula Santos.

A deputada do PCP deslocou-se a Castelo Branco, onde visitou os dois centros de saúde (S. Miguel e S. Tiago) e o Hospital Amato Lusitano (HAL).

Em relação aos cuidados de saúde hospitalares, a deputada comunista explicou que o Conselho de Administração do HAL lhe transmitiu que o que está expresso na portaria «não tinha sido aquilo que tinha sido discutido com a tutela» e que «já tinha sido dada a informação de que o HAL não iria perder valências».

«A verdade é que a portaria está lá, os critérios estão lá e muito embora tenham sido dadas estas informações efetivamente não nos descansam», adiantou.

Quanto à continuidade da maternidade do HAL, Paula Santos mostrou-se preocupada e manifestou essa preocupação à administração.

«O que foi dito por parte do CA é que não estaria em causa a continuidade da maternidade no hospital. Esperamos que não seja encerrada a maternidade», referiu a deputada do PCP.

Paula Santos sublinhou, no entanto, que aquilo que tem sido dito pelos membros do Governo «não deve descansar [ninguém], porque o que está lá pode efetivamente levar a redução de muitos serviços hospitalares e à concentração de muitos desses serviços no país».

Sobre os cuidados de saúde primários, disse que as dificuldades sentidas nos centros de saúde de Castelo Branco não são diferentes daquilo que se passa a nível nacional.

«Destacaria aqui como principal questão a carência de profissionais de saúde ao nível dos cuidados de saúde primários, havendo alguns utentes ainda sem médico de família, o que coloca dificuldades na acessibilidade à saúde para os utentes», concluiu.