O deputado do PCP Miguel Tiago denunciou hoje aquilo que considera ser «a mentira e a propaganda, agora revestida de tom triunfalista delirante» do Governo, perto das eleições europeias, em declaração política no Parlamento.

«A mentira e a propaganda, agora revestida de tom triunfalista delirante que se intensifica à medida que se aproximam as eleições para o Parlamento Europeu, são os expedientes do Governo para mascarar os reais impactos e efeitos da sua política», afirmou.

Segundo o parlamentar comunista, «para os grandes patrões, os lucros crescem, mas para os trabalhadores nada muda em maio de 2014 se este Governo não for derrotado», referindo-se ao final do programa de assistência económico-financeira.

«O país da opulência obscena, dos lucros, da banca, da economia de casino pode ser a pátria dos ministros da República, mas não é a dos portugueses que vivem do trabalho», sublinhou.

O deputado socialista Vitalino Cana destacou a «confusão reinante» na maioria PSD/CDS-PP por «de manhã preferir um programa cautelar e à tarde dizer que não há decisão tomada».

«É vital a questão não ser tomada em clima eleitoral ou por outros e, em terceiro lugar, ser tomada de forma insensata e implicar mais presença de instituições estrangeiras em Portugal», disse, instando a Governo e maioria a chegarem a uma «definição».

A parlamentar do BE Mariana Mortágua apontou a campanha eleitoral que se avizinha como uma oportunidade para os «partidos que suportam a maioria se confrontarem com a realidade», com «a pobreza, as desigualdades e o sofrimento dos portugueses».

«Como se houvesse saída limpa de um processo que não foi mais que um processo de destruição do país», notou, acusando o executivo de Passos Coelho e Paulo Portas de ir dizer ao Tribunal Constitucional que os cortes nos salários e pensões »eram temporários, comprometendo-se, ao mesmo tempo, com a troika, para que eles fossem permanentes».

Miguel Tiago afirmou que PSD e CDS «atropelam-se para ver qual é mais prestável» a União Europeia, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional, enquanto o PS tem uma «tibieza variável, que ora contesta, ora faz vénia às instituições estrangeiras».

«A democracia portuguesa foi sequestrada pela troika doméstica e pela troika estrangeira e a maioria desta Assembleia da República legitima as políticas de assalto e de abdicação do interesse nacional», disse.