O PSD sublinhou esta terça-feira que cabe aos partidos à esquerda que apoiam o Governo fazer aprovar o Orçamento do Estado (OE) para 2017, instando ainda PS, BE e PCP a não "mandar recados uns aos outros" em público.

"A responsabilidade para aprovar o OE para 2017 é uma responsabilidade que impende sobre os partidos que suportam o Governo: o PS, o BE e o PCP. Sei que alguns destes partidos se têm distraído na praça pública a mandar recados uns aos outros, mas os portugueses sabem que esses recados são só para consumo interno", vincou o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro.

O social-democrata falava aos jornalistas no Parlamento no final de uma reunião do grupo parlamentar que antecede um jantar, privado, que assinala o fim da atual sessão legislativa.

O Executivo do PS liderado por António Costa, prosseguiu Montenegro, "existe porque tem o apoio parlamentar" de PS, Bloco de Esquerda (BE) e PCP, e tal deve ser lembrado pelos responsáveis de todas estas forças políticas.

"Instava daqui os protagonistas e dirigentes destes três partidos a poderem sentar-se à mesa e construir as soluções que prometeram ao país, soluções de governabilidade, com estabilidade, consistência, que assegurem a durabilidade do Governo", vincou o líder da bancada "laranja".

Luís Montenegro aludia, por exemplo, a declarações recentes do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que garantiu no fim de semana que o PCP não pretende "fazer a cama" ao Governo do PS, mas só votará favoravelmente o Orçamento do Estado para 2017 se este não reverter direitos dos trabalhadores.

"Levaremos a nossa palavra até ao fim, como partido sério, votando, no que é bom para os trabalhadores e para o povo, a favor e votando contra aquilo que for negativo para os trabalhadores e para o nosso povo", afirmou Jerónimo de Sousa num comício tido no domingo na Foz do Arelho, no concelho das Caldas da Rainha.