O PS considerou que o primeiro-ministro foge a dar respostas concretas, indiciando assim que se manterão os «cortes brutais» nas pensões e salários, e acusou-o de procurar desvalorizar os resultados das próximas eleições europeias.

João Proença, membro do Secretariado Nacional do PS, falava aos jornalistas em reação à entrevista concedida esta terça-feira à SIC pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

«Podemos concluir que o primeiro-ministro fugiu a dar respostas concretas. Podemos interrogarmo-nos se é por não estar preparado, se é para fugir a verdade, ou porque estamos em plena campanha eleitoral, quer para as europeias, quer para as legislativas», disse.

Apesar dessa alegada indefinição, o ex-líder da UGT disse que Pedro Passos Coelho deu sinais inequívocos de que «se vão manter os cortes brutais nos salários e nas pensões, transformando em definitivo aquilo que eram medidas provisórias».

Por sua vez, o membro da comissão política do PCP Jorge Cordeiro alertou para o «momento de propaganda» em que terá consistido a entrevista televisiva do primeiro-ministro, escondendo «mais grave e brutal» corte nos rendimentos e no Estado Social.

«O que os portugueses devem reter deste momento de propaganda é simples: verão os seus salários e pensões de reforma sofrer um mais grave e brutal corte porque, de facto, transformar cortes temporários em definitivos é exatamente isso», afirmou, nos Passos Perdidos do Parlamento.

O responsável comunista acrescentou que se anteveem «mais dificuldades no acesso à Saúde, menos proteção social, menos emprego público, mais portugueses no desemprego».

Sobre a credibilidade de Passos Coelho, o militante do PCP comparou-a com anos anteriores, concluindo que «a trajetória é sempre a mesma - retomar os mesmos cortes, agravá-los e transformá-los em definitivos».

O Bloco de Esquerda (BE) acusou o primeiro-ministro de «insensibilidade social» por se «recusar a aceitar» que a pobreza de «dois milhões de portugueses» ser uma «consequência direta» da austeridade.

«Esta entrevista revela um primeiro-ministro insensível, cruel, não preocupado com o futuro e bem-estar da sua população, mas também um primeiro-ministro agarrado ao poder», declarou a deputada bloquista Mariana Mortágua.

«Recusa-se a aceitar as consequências das suas políticas, mas diz mais: diz que quer impor um teto aos apoios que o Estado pode dar a estes pobres», alerta Mariana Mortágua.

«O primeiro-ministro veio revelar nesta entrevista que o Governo vai seguir neste momento pré-eleitoral para as europeias a mesma estratégia que seguiu para as eleições [legislativas] de 2011: diz que vai cortar nas gorduras excessivas do Estado quando na verdade sabemos que corta salários e pensões», advogou ainda a parlamentar do Bloco.

Já a deputada ecologista Heloísa Apolónia condenou o Governo da maioria PSD/CDS-PP por querer um «Estado mínimo» e de não atender ao «drama» em que consiste a pobreza e o desemprego em Portugal.

«O primeiro-ministro deixou muito claro que dramas como a pobreza e o desemprego não são, ao nível do seu combate, uma prioridade do Governo. A prioridade é o corte cego no défice e a criação de um Estado mínimo», afirmou.

Segundo a parlamentar de «Os Verdes», «o primeiro-ministro confirmou, mais uma vez, que os cortes salariais e nas pensões são para se tornar permanentes, podendo substituir-se o nome, mas vão permanecer».

«Este Governo é desgastante para o país e já não tem nada para lhe oferecer. Ao contrário do que o PM diz, Estas eleições europeias são um momento para avaliar o Governo e a troika, na qual se inclui a União Europeia», concluiu, apelando ao voto na Coligação Democrátiva Unitária (CDU), que junta «Verdes», PCP e Intervenção Democrática.