O PCP classificou esta quinta-feira a mensagem de Ano Novo do Presidente da República como um recorrente «conjunto de mistificações», acusando Cavaco Silva de tentar ocultar a sua própria responsabilidade na «desgraça» do país.

«A mensagem do Presidente não traz nada de novo nem de positivo, nem para o país nem para a imensa maioria dos portugueses. Mais uma vez, e é recorrente, trata-se de um conjunto de mistificações para apoiar a continuação e o agravamento da política de direita que tem sido seguida há 38 anos pelo PS, PSD e CDS», disse à agência Lusa Carlos Gonçalves, da comissão política do Comité Central do PCP.

O dirigente comunista disse que a mensagem do PR contém três mistificações: a primeira, frisou, é a «tentativa da ocultação da responsabilidade de Cavaco Silva na desgraça do país».

«Cavaco fala como se não tivesses sido 10 anos primeiro-ministro e como se não fosse há quase 10 anos Presidente da República. É evidente que ele é seguramente um dos maiores responsáveis pela situação que vivemos», alegou Carlos Gonçalves.

A segunda mistificação é o «apelo ao compromisso futuro de PS, PSD e CDS», patente, de acordo com o PCP, na mensagem do Presidente da República, «como se não fosse esse compromisso a base da política de direita e a causa do empobrecimento, da exploração, do desemprego, destruição dos serviços públicos» e também da degradação da democracia e perda de elementos de soberania.

A última mistificação, segundo Carlos Gonçalves, passa pela «insistência num mesmo caminho e numa mesma política, como se isso fosse uma inevitabilidade, uma espécie de fatalidade».

«Antes pelo contrário, pensamos que é cada vez mais imperioso e necessário a demissão do Governo, a realização de eleições antecipadas, a rotura com a política de direita e uma alternativa patriótica de esquerda», disse o dirigente comunista.

O Presidente da República apontou hoje 2015 como «um ano de escolhas decisivas», recomendando aos partidos cuidado nas promessas eleitorais que irão apresentar nas legislativas, porque os problemas do país não se resolvem «num clima de facilidade».