O PS considerou hoje «pouco credíveis» as previsões do Banco de Portugal sobre o crescimento em 2014 e «incompreensíveis» as estimativas para este ano, já que as exportações teriam de registar uma aceleração acentuada no último trimestre.

Esta posição de ceticismo foi manifestada pelo deputado socialista João Galamba, reagindo às previsões do Boletim Económico de Inverno do Banco de Portugal, que voltou a melhorar as estimativas económicas para este ano, esperando agora uma recessão de 1,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), acima das perspetivas do Governo, que calcula uma contração de 1,8 por cento.

«O PS entende que as previsões para o próximo ano não são muito credíveis, nomeadamente em relação à questão do crescimento do consumo privado, quando o país tem um Orçamento para 2014 com um reforço muito significativo da austeridade. Neste contexto, não entendemos como é possível o consumo privado recuperar no próximo ano», começou por apontar João Galamba.

Em relação às previsões para este ano, o deputado do PS disse que «incompreensivelmente o Banco de Portugal melhora-as».

«Acontece que a melhoria dos resultados económicos em 2013 deve-se a exclusivamente a uma procura interna melhor do que o esperado», sustentou, numa alusão à decisão de inconstitucionalidade do Tribunal Constitucional em relação a medidas constantes no Orçamento para 2013.

Perda de seis por cento do PIB

Por seu lado, a deputada do BE Mariana Mortágua destacou hoje a perda de seis por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em Portugal após quase três anos de Governo da maioria PSD/CDS-PP e acordo com a troika.

«Entre 2011 e 2013, Portugal perdeu seis por cento do seu PIB. Nos três anos em que PSD, CDS e a troika governaram este país, Portugal perdeu mais nove mil milhões (de euros) às mãos da recessão causada pela austeridade e políticas agressivas contra os salários», disse na Assembleia da República.

«Tudo aquilo que este país vai produzir na próxima década vai ser apenas para recuperar a riqueza que perdemos em três anos de austeridade e vamos fazê-lo enquanto pagamos uma dívida que é hoje 40 mil milhões superior em relação àquela que era em 2011», contrariou a parlamentar.

«A decisão do Tribunal Constitucional, de não cortar os subsídios, deu aos trabalhadores um alento, possibilitou um aumento de expectativas e que alguns fizessem despesas que estavam a adiar há três anos», justificou Mortágua.

O Governo foi revendo as suas previsões económicas para este ano: no Orçamento do Estado para 2013, antecipava uma recessão de apenas 1%, perspetiva que foi piorada para os -2,3% em maio e que foi depois revista para os -1,8%, o que significa que o executivo espera agora uma recessão mais profunda do que a estimada inicialmente.

«Será crescimento anémico»

Já o deputado do PCP Paulo Sá também previu que, mesmo que se venha a verificar o crescimento económico previsto pelo boletim económico de inverno do Banco de Portugal (BdP), o mesmo será «anémico» e sem impacto nos portugueses.

«As previsões estão em linha com as apresentadas pelo Governo no orçamento do Estado, mas não estão em linha com a realidade que é sentida e vivida diariamente pelos portugueses que, consequência da política da "troika", empobrecem de forma acelerada», afirmou, nos Passos Perdidos do Parlamento.

«Mesmo que este crescimento se venha a verificar, de 0,8 por cento, é anémico e não compensa de forma alguma a queda do PIB em 2012 e 2013», frisou o parlamentar comunista.

«Mesmo que esse crescimento económico se venha a verificar, e é um grande "se", o país vive uma situação de tal forma estranha, com um Governo a impor medidas de austeridade que só empobrece a população, que não se irá traduzir de forma alguma na melhoria da qualidade e das condições de vida dos portugueses», continuou Paulo Sá.