O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, garantiu hoje que o PCP vai votar contra o orçamento do Estado2014 (OE2014), «já na generalidade, na próxima sexta-feira», insistindo nas propostas alternativas apresentadas numa sessão de esclarecimento em Alverca.

«E é perante este conteúdo, concreto, que nós afirmamos - e os camaradas estarão de acordo - que o PCP vote contra esta proposta de orçamento, já na generalidade, na próxima sexta-feira. Mas o PCP tem propostas, de fundo, que colidem com esta opção do Governo, de tudo a favor do capital, tudo contra os trabalhadores e os reformados», afirmou.

No salão dos Bombeiros Voluntários de Alverca, Jerónimo de Sousa voltou a defender as três propostas de redução da despesa do Estado, num montante de até 8,6 mil milhões de euros, em resposta ao primeiro-ministro, Passos Coelho, que desafiara a oposição a apresentar um OE2014 «alternativo», que respeite a meta do défice de quatro por cento.

«Ouvimos Passos Coelho, hoje, afirmar que não há alternativa, que não há folga, e que, se a oposição pensa que tem alternativa, que a apresente. Há uma alternativa: rejeição deste pacto de agressão, rotura com esta política de direita, demissão deste Governo e convocação de eleições antecipadas», continuou.

O líder do PCP reiterou a necessidade de renegociação da dívida pública «legítima», até «2,5% das exportações», referindo tratar-se de uma «moratória inspirada na Alemanha do pós-guerra» que permitiria uma poupança de 5.664 milhões de euros. As Parcerias Público Privadas e os contratos de gestão de risco no setor público foram os outros alvos para angariar 1.645 e 1.225 milhões de euros, respetivamente.

«Ficaram embaraçados porque o ministro da Economia, Pires de Lima, falou cedo demais. Falou antes da aprovação do OE2014, descredibilizando-o como instrumento para o anunciado novo ciclo. Falou de um programa cautelar em perspetiva, depois, metendo os pés pelas mãos ou as mãos pelos pés, emendou e falou de um seguro», criticou ainda Jerónimo de Sousa.

Ainda sobre as contradições no executivo PSD/CDS-PP, liderado por Passos Coelho e Paulo Portas, o secretário-geral comunista reforçou que o primeiro-ministro «acabou por dizer que ainda era cedo para se saber se era um programa cautelar ou outra coisa».

«A outra coisa, obviamente, é um segundo resgate», lamentou.