O PCP considera que ao afastar a hipótese de eleições antecipadas sem que exista uma «grave crise política», o Presidente da República (PR) reafirma o seu conceito de estabilidade e está a ir «contra o interesse nacional».

«O conceito de estabilidade de Cavaco Silva é a continuação das políticas que favorecem os grandes interesses e a destruição do país», disse hoje à agência Lusa Rui Fernandes, da comissão política do PCP.

O Presidente da República disse, em entrevista ao semanário Expresso publicada hoje, que vai respeitar a lei e a Constituição na marcação das legislativas do próximo ano, sublinhando que só uma alteração da lei eleitoral pelo parlamento ou uma «grave crise política» podem antecipar o calendário previsto.

O dirigente comunista sustentou ainda que o PR reafirma, na entrevista ao Expresso, «ideias fundamentais» presentes em discursos anteriores, nomeadamente que «vai continuar a dar cobertura às políticas que estão a destruir o país».

Aníbal Cavaco Silva lembra na entrevista que a fixação da data das eleições legislativas entre 14 de setembro e 14 de outubro está na lei eleitoral desde 1999 e desafia os atuais deputados, se não concordam com a lei, a alterá-la.

«Se a Assembleia da República não mudar a lei eleitoral que aprovou em 1999, se não ocorrer uma grave crise política que ponha em causa a governabilidade, então as próximas eleições legislativas terão lugar em 2015, entre 14 de setembro e 14 de outubro. Ponto final», afirmou.

A oposição tem reclamado a antecipação das eleições legislativas, mas os líderes da maioria PSD e CDS-PP, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, já recusaram essa possibilidade.

Rui Fernandes reafirmou hoje a «urgência» de eleições antecipadas, «para travar o rumo de destruição» do país.