O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, exortou ests quinta-feira os reformados e pensionistas a não ficarem à espera do Tribunal Constitucional e a lutarem pelos seus direitos.

Falando em Aveiro, à entrada para um jantar com militantes, Jerónimo de Sousa comentou que os cortes nas pensões dos funcionários políticos confirmam a sua afirmação «perante esses anúncios de um novo ciclo, de que a velha política continua».

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«Esta política de empobrecimento dos portugueses, atingindo quem trabalha ou quem trabalhou uma vida inteira, a par da medida dos cortes nas pensões, que era a tal linha vermelha que Paulo Portas dizia que não era possível passar. Afinal enganaram os portugueses, enganaram os pensionistas com este corte brutal», declarou.

Jerónimo de Sousa lembrou que os reformados e pensionistas já haviam sofrido uma redução significativa de rendimento através do aumento dos impostos e deixou como mensagem que devem fazer valer os seus direitos.

«Nesse sentido dizemos aos reformados e trabalhadores que não fiquem à espera só do Tribunal Constitucional e que lutem pelos seus direitos», disse.

Segundo o líder do PCP, o Governo «tenta contornar manhosamente a decisão do Tribunal Constitucional e levar ao despedimento na administração pública pela via do sufoco salarial, tornando insuportável o vínculo desses trabalhadores com salários de miséria».

Insistindo que o «novo ciclo» é uma declaração fantasiosa, Jerónimo de Sousa assegurou que «o Governo não mudou nada» e «continua a impor sacrifícios e austeridade» àqueles que trabalharam e que trabalham.

«É tanto mais escandaloso, quando, só no ano passado, deram 5.600 milhões de euros ao capital financeiro, o que procuram compensar por esta via inaceitável, que é a de empobrecer os portugueses», criticou.

O líder do PCP recusou a tese do Governo de que não há alternativa aos cortes: «há dinheiro, vão buscá-lo onde ele está. Lembro que ainda continuam seis mil milhões de euros parados como garantia, sempre para a banca».

A alternativa, sustentou, é ir buscar o dinheiro «aos offshores, ao dinheiro que foi ganho aqui e que fugiu para o estrangeiro, às Parcerias Público Privadas», mas o Governo PSD/CDS não quer, para quem «esses são sempre os intocáveis e para esses há sempre» dinheiro.

«Não há é para os trabalhadores, reformados e pensionista», cita a Lusa.