O líder comunista louvou a greve dos médicos em todo o país, sublinhando tratar-se de uma «luta inovadora» também «em defesa do Serviço Nacional de Saúde», após reunião com a Federação Nacional de Professores (FENPORF), em Lisboa.

«Esta é uma iniciativa própria dos médicos, do setor. Está a ser uma luta com uma dimensão inovadora. Estamos a falar de médicos que estão em luta pelos seus interesses e direitos, mas em defesa do SNS, dos utentes», comentou Jerónimo de Sousa sobre o segundo dia de paralisação daqueles profissionais.

Para o secretário-geral do PCP a «dimensão solidária deve ser valorizada».

Jerónimo de Sousa previu ainda que a manifestação de quinta-feira, «convocada pela CGTP, vai ser mais uma grande resposta a todos aqueles que dizem que o povo e os trabalhadores portugueses estão conformados e resignados», referindo-se ao protesto rumo à Assembleia da República, com percursos desde a praça do Marquês de Pombal e do Cais do Sodré.

Jerónimo critica «ataque governamental» à escola pública

Jerónimo de Sousa mostrou-se contrário àquilo que considera ser uma «política de ataque à escola pública» por parte do Governo da maioria PSD/CDS-PP.

«Este Governo não resolve nenhum dos problemas sociais e está a tentar aquele objetivo supremo da privatização da escola pública, atingindo os principais atores, os professores, que têm visto retrocessos inaceitáveis no plano das suas carreiras, salários e direitos», afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista lamentou que «o Governo, mais uma vez, se prepare para, na época de verão, continuar a política de ataque à escola pública».

O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, comparou a proposta de municipalização das escolas por parte do Governo como dois assaltantes que «dividem o bolo», uma vez que é calculado o preço de cada docente em 25 mil euros e caberá a cada autarquia 12.500 por cada «professor abatido», com as negativas consequências pedagógicas.

Jerónimo de Sousa destacou «problemas de fundo» como «a ameaça de encerramento de escolas do primeiro ciclo, mais de 300, e a falta de resposta no apoio às crianças que necessitam de acompanhamento especial».