O secretário-geral do PCP afirmou esta sexta-feira que não se deve crucificar o mensageiro de novos cortes nos rendimentos dos portugueses, mas sim atentar às novas medidas que o Governo está a preparar.

Jerónimo de Sousa, a acompanhar uma manifestação de jovens trabalhadores organizada pela CGTP, em direção a São Bento, comentava a polémica sobre a fonte oficial do Ministério das Finanças que veiculou a informação de que o executivo de Passos Coelho e Paulo Portas se prepara para tornar permanentes os cortes nas pensões, algo entretanto contrariado pelo primeiro-ministro e pelo ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares.

«Não vale a pena tentar, como alguns estão a fazer, crucificar o mensageiro. A grande questão está na mensagem», afirmou o líder comunista, já depois de o vice-primeiro-ministro ter classificado o episódio como um «erro» e de o ministro-adjunto e do desenvolvimento regional, Poiares Maduro, ter lamentado que o Governo tenha criado «ruído» no encontro com jornalistas no Ministério das Finanças.

Para Jerónimo de Sousa, «foi uma tentativa, de atirar o barro à parede, de ver como as pessoas reagiam a mais esta ameaça de continuação dos cortes, que depois vêm adjetivar de ajustamentos».

«A grande questão central é que o Governo está a preparar novos cortes, novas medidas contra reformados, pensionistas, trabalhadores da administração pública. Isso é que é fundamental e não procurar um bode expiatório», concluiu.