O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, desvalorizou esta segunda-feira o aumento do PIB de 0,9% no segundo trimestre deste ano, face ao mesmo período do ano passado, lembrando que se não fossem as alterações metodológicas seria um «aumento rastejante».

«Eu não queria dizer isto, mas começamos a estar acostumados àquilo a que se chama manobras, alteração de critérios. Desta vez, em relação ao PIB, foi a alteração da metodologia», disse.

«Se não tem havido essa alteração metodológica, aquilo que aconteceria - tendo em conta a realidade do PIB hoje - seria um crescimento rastejante, incompatível com a necessidade absoluta que temos de produzir mais, de criar mais riqueza, tendo em conta o problema do défice e, fundamentalmente, o problema da dívida e do serviço da dívida. São dados estatísticos, mas o que se deve relevar é a metodologia alterada», acrescentou.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu esta segunda-feira em alta o crescimento da economia portuguesa no segundo trimestre deste ano, que aumentou 0,9% do PIB face a igual período de 2013, com o novo Sistema Europeu de Contas (SEC2010).

Em declarações aos jornalistas durante uma visita à Festa das Vindimas, em Palmela, Jerónimo de Sousa aproveitou ainda para alertar para o aumento das importações, que, segundo disse, já representam «o triplo das exportações».

«Lembram-se daquela imagem que o ministro Paulo Portas usou, do porta-aviões das exportações, em que tudo era encaminhado para um aumento das exportações. Não é verdade, neste momento. Tem havido algum aumento do consumo interno, principalmente porque tiveram [o Governo] de devolver salários e pensões. A grande bandeira das exportações, comparando com as importações, já lá vai. O porta-aviões foi ao fundo», concluiu.